Núm. 54 (2026): Justiça Social, Emoções e Decolonialidade na Formação de Professores de Línguas
Dossiê SOLETRAS 54 (Jan.-Abril. 2026)
Justiça Social, Emoções e Decolonialidade na Formação de Professores de Línguas
Organizadores:
Gysele da S. Colombo-Gomes (UERJ)
Luis Javier Pentón Herrera (Universidade VIZJA, Polônia)
Ana Maria F. Barcelos (Universidade Federal de Viçosa, Brasil)
O chamado por uma formação docente fundamentada na justiça social e em perspectivas decoloniais não é novo, mas ganha urgência renovada diante do avanço do extremismo de direita, do retrocesso democrático e do acirramento de conflitos sociais, culturais e étnicos ao redor do mundo. Nesse cenário, refletir sobre os propósitos e rumos da educação linguística torna-se imperativo. Apesar dos esforços históricos para centrar o ensino de línguas em valores éticos e humanistas, modelos técnicos e baseados na transmissão de conteúdos ainda predominam. Essas abordagens frequentemente ignoram as dimensões socioemocionais, relacionais e políticas do ensino de línguas, reforçando estruturas hierárquicas e excludentes. Reimaginar a formação de professores de línguas sob as lentes da justiça, do cuidado e da decolonialidade significa reconhecer os professores como agentes de transformação. Requer criar espaços que afirmem o envolvimento emocional, a dignidade cultural e a reflexão crítica para docentes e aprendizes. Em resposta às crises contemporâneas, educadores têm promovido abordagens pedagógicas que priorizam a empatia, a cura e a alfabetização emocional, favorecendo ambientes nos quais professores e alunos possam florescer. Este dossiê convida contribuições que explorem o que tem sido feito — ou o que ainda precisa ser feito — para avançar na formação de professores de línguas comprometida com a equidade, o desenvolvimento socioemocional e práticas transformadoras. São bem-vindos estudos, narrativas e reflexões que desafiem paradigmas dominantes, incorporem o pensamento decolonial e coloquem no centro da formação as dimensões emocionais, éticas e políticas do ser professor de línguas hoje.
