Aforização, particitação e a construção de um enunciador justiceiro em manchetes de jornais populares

Autores

  • Rodrigo da Silva Campos Universidade do Estado do Rio de Janeiro
  • Jorge Cardoso Paulino

Resumo

Este artigo tem como objetivo analisar o uso de aforizações em oito manchetes dos jornais populares (AMARAL, 2006) cariocas Meia Hora e Expresso. Parte-se do pressuposto de que as manchetes constituem espaços privilegiados de disputa de sentidos e de circulação de valores sociais, nos quais se articulam múltiplas vozes e posicionamentos ideológicos. O referencial teórico fundamenta-se na Análise do Discurso de base enunciativa, especialmente nos conceitos de aforização e particitação, conforme propostos por Maingueneau (2004, 2008, 2010). Metodologicamente, realiza-se a análise qualitativa de um conjunto de manchetes, observando-se os efeitos de sentido produzidos pela mobilização de aforizações de destacamento constitutivo, aforizações destacadas de outros textos e aforizações alteradas. Os resultados evidenciam a recorrência de um enunciador que legitima uma concepção punitiva de justiça, marcada pela exaltação da violência estatal, pela inferiorização dos bandidos e pela naturalização da morte como solução para o crime.

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Publicado

2026-04-30

Como Citar

DA SILVA CAMPOS, Rodrigo; CARDOSO PAULINO, Jorge. Aforização, particitação e a construção de um enunciador justiceiro em manchetes de jornais populares. SOLETRAS, Rio de Janeiro, Brasil, n. 54, 2026. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/soletras/article/view/95984. Acesso em: 1 maio. 2026.