Subjetividades em trânsito

interações de imigrantes com o português como língua de acolhimento sob a ótica da formação docente e da psicanálise

Autores

Resumo

O artigo discute o ensino de português brasileiro como língua de acolhimento em contextos migratórios, a partir da interlocução entre a psicanálise, a educação linguística crítica e perspectivas decoloniais de formação docente. O objetivo é refletir sobre os efeitos subjetivos da aprendizagem do português como língua de acolhimento por sujeitos em situação de migração, bem como sobre as implicações desses efeitos para a formação de professores de línguas em contextos migratórios. O referencial teórico articula contribuições da psicanálise (Freud, Lacan, Melman, Gebrim), dos estudos da linguagem e da educação crítica e decolonial (Freire, Walsh, Moita Lopes). Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de base interpretativa, fundamentada em relatos de experiências vividas em turmas de nivelamento de português brasileiro ofertadas a imigrantes haitianos e venezuelanos no âmbito de um programa de extensão universitária. A análise de episódios de recusa e esquecimento linguístico evidencia que a aprendizagem da língua de acolhimento envolve conflitos simbólicos relacionados à filiação, ao desejo e ao pertencimento. Conclui-se que a formação docente precisa deslocar-se de modelos técnicos e assimilacionistas para assumir uma ética do cuidado, da escuta e do acolhimento da heterogeneidade, reconhecendo o professor como agente de transformação social em contextos de migração.

Biografia do Autor

Patrícia Honorato, UNIR

Professora adjunta do departamento de Psicologia e professora colaboradora Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Graduada em Psicologia (2009), mestra em Psicologia (2012) pela Universidade Federal de Rondônia e doutora em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, com área de concentração em Psicologia Clínica (2020). Foi docente no ensino superior na Universidade Luterana do Brasil de Porto Velho e do Centro Universitário São Lucas.

Weidila Nink, UFRGS

Doutoranda em Psicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestra em Psicanálise pelo Programa de Pós-graduação em Psicanálise: Clínica e Cultura (PPGCLIC) na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), graduada em Psicologia pela Faculdade São Lucas. Integrante do Grupo de Pesquisa Psicanálise: psiquismo, subjetividade e pesquisa, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É membro do Programa de Extensão Migração Internacional na Amazônia Brasileira: Linguagem e Inserção Social em Porto Velho e do Grupo de Pesquisa Migração, Memória e Cultura na Amazônia Brasileira (MIMCAB). Membro do Laboratório de Estudos sobre Populações Negligenciadas da Amazônia (LEPONA) e do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) do Centro Universitário São Lucas. É docente na Faculdade de Tecnologia SENAI Porto Alegre e coordena o Núcleo de Apoio ao Estudante (NAE).

Publicado

2026-04-30

Como Citar

NINK , Ivonete; DE MORAIS HONORATO LIMA, Patrícia Rafaela; NINK DIAS, Weidila. Subjetividades em trânsito: interações de imigrantes com o português como língua de acolhimento sob a ótica da formação docente e da psicanálise. SOLETRAS, Rio de Janeiro, Brasil, n. 54, 2026. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/soletras/article/view/95710. Acesso em: 1 maio. 2026.