Revista Sustinere

A Revista SUSTINERE (SUST) tem por objetivo a publicação de contribuições nacionais e internacionais acadêmicas, técnicas e científicas que articulem temas interdisciplinares e transdisciplinares relativos à Saúde e Educação em suas interfaces com a sociedade, a ciência, o meio ambiente e a tecnologia. São aceitos artigos em português, inglês e espanhol.

e-ISSN: 2359-0424 | Ano de criação: 2013 | Área do conhecimento: Multidisciplinar | Qualis: B1 (Ensino), B4 (Enfermagem; Interdisciplinar), B5 (Arquitetura, Urbanismo e Design; Ciências Ambientais; Engenharias I; Engenharias III), C (Biodiversidade)


SUSTINERE: Revista de Saúde e Educação

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Notícias

 

No Dia Mundial do Coração, Ministério da Saúde promove simpósio sobre inovação, tratamento e prevenção de doenças cardiovasculares



- Foto: Walterson Rosa/MS

No Dia Mundial do Coração, nesta quinta-feira (29), o Ministério da Saúde promoveu um seminário para debater as doenças que são as maiores causas de morte no Brasil. Especialistas de várias áreas debateram diversos temas sobre o assunto, desde prevenção, até tratamento e inovações na cardiologia.

O ministro da saúde, Marcelo Queiroga, ressaltou que as doenças cardiovasculares merecem uma atenção especial por parte dos gestores públicos. “Sempre houve essa necessidade e agora que vivemos o período pós pandêmico onde, muitas vezes, os cuidados, desde a atenção primaria a atenção especializada da saúde, foram relativizados é necessário que políticas públicas sejam ampliadas para que possamos reduzir óbitos por doenças cardiovasculares”, pontuou.

Entre os temas abordados estavam o Programa Previne e os Indicadores de hipertensão e de diabetes, o QualiSUS Cardio, a Linha de Cuidado do Infarto Agudo do Miocárdio e o Projeto de Implantação e Implementação de Rede Nacional de Saúde Cardiovascular Especializada – Renasce.

As doenças cardiovasculares apresentam causas múltiplas, se desenvolvem lentamente ao longo da vida e, na maioria das vezes, de forma silenciosa e assintomática. São considerados fatores de risco: hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, sobrepeso/obesidade, dislipidemia, tabagismo, alimentação inadequada, inatividade física, elevado tempo em comportamento sedentário e consumo de álcool.

Portanto, a prevenção é fundamental para o controle de doenças cardíacas. Nesse sentido, especialistas recomendam a adoção de hábitos de vida saudáveis, entre eles atividade física regular de pelo menos 150 minutos por semana, alimentação balanceada, priorizando alimentos frescos, como frutas, legumes, hortaliças e cereais, evitando os ultraprocessados e a cessação do tabagismo.

Para o presidente da World Heart Federation, Fausto Pinto, o Dia Mundial do Coração tem o objetivo de desenvolver um conjunto de iniciativas no que diz respeito às doenças cardiovasculares. “A data serve exatamente para se discutir as estratégias, de uma forma global, para a melhora da saúde cardiovascular e para combater a principal causa de mortalidade do mundo. Esta é uma excelente iniciativa do Ministério da saúde do Brasil”, disse.
Tratamento no SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento integral e gratuito para a prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças cardiovasculares. No primeiro atendimento, nas Unidades Básicas de Saúde, estão disponíveis ações de prevenção, como acompanhamento e monitoramento de fatores de risco como hipertensão e diabetes. Se houver necessidade, como diagnóstico de doença cardiovascular, o paciente é encaminhado para a Atenção Especializada, onde terá toda assistência para o acompanhamento com especialista, exames, tratamento e os procedimentos necessários, ambulatoriais ou cirúrgicos. O Brasil tem mais de 300 centros especializados de alta complexidade cardiovascular.

Ministério da Saúde
Categoria
Saúde e Vigilância Sanitária





Autor: gov
Fonte: gov
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 29/09/2022
Publicação Original: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/setembro/no-dia-mundial-do-coracao-ministerio-da-saude-promove-simposio-sobre-inovacao-tratamento-e-prevencao-de-doencas-cardiovasculares
Publicado: 2022-09-30Mais...
 

Ministério da Saúde lança Campanha Nacional de Incentivo à Doação de Órgãos e Tecidos de 2022



- Foto: Julia Prado/MS

Com o tema “Amor para superar, amor para recomeçar”, o Ministério da Saúde lançou, nesta terça-feira (27), a Campanha Nacional de Incentivo à Doação de Órgãos e Tecidos de 2022. O objetivo é incentivar a população sobre a importância da doação de órgãos e os profissionais de saúde que lidam com essa situação delicada para as famílias e são agentes importantes para essa conscientização. O Brasil tem o maior programa público de transplantes do mundo através do Sistema Único de Saúde (SUS).

Durante o evento, Elaiza Machado, de 46 anos, conta que há 8 anos perdeu o seu filho em um trágico acidente. William Machado teve morte cerebral aos 19 anos. A partir daí o seu irmão mais novo, Wellington Machado, pediu para que sua mãe autorizasse a doação de órgãos de William. “Conto esse resumo da história mais dolorosa da minha vida, mas, hoje, me orgulho dessa atitude. Meu filho é um herói, mesmo após a sua morte, ajudou seis pessoas a viverem”, relata Elaiza, que também diz que esse ato trouxe ajuda para a superação da tragédia e deseja que outras pessoas tenham essa mesma consciência.

Para o ministro da Saúde Substituto, Bruno Dalcolmo, essa data é um dia de celebração de renovação da vida. “Não dá para dimensionar o quanto as pessoas podem ser abençoadas após receberem uma ligação sabendo que terão uma nova oportunidade de viver”, pontua. O ministro substituto também reforça que o país tem o título de maior programa público de transplantes do mundo, algo que foi construído ao longo de décadas com muito esforço.

O lançamento marca o Dia Nacional da Doação de Órgãos. A campanha será veiculada em TV, rádio, mídia exterior em lugares de grande circulação de pessoas, em portais online, além de redes sociais. A campanha também mostra a importância de conversar e manifestar o desejo da doação para os familiares, que serão os responsáveis por essa decisão. Atualmente, mais de 59 mil pessoas estão na fila esperando por um órgão - esse dado contabiliza também as pessoas que esperam por uma córnea. Só em 2022, em média, mais de 45% das famílias não concordaram com a doação.
Transparência

Nesta terça (27), o Ministério da Saúde também apresentou uma ferramenta de avaliação e visualização de dados referente ao cenário atual da lista de espera e dos transplantes de órgãos realizados em 2022, com objetivo de promover maior conscientização e também apoio a decisões sobre a doação de órgãos e medula óssea pelos gestores do Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

Os painéis contêm informações de lista de espera e de transplantes de órgãos e medula óssea realizados durante o ano, até o momento, com atualização semanal. Com as informações da lista de espera, o público poderá visualizar a quantidade de pessoas que aguardam por um órgão para realização do transplante na última data de compilação dos dados. No painel, é possível visualizar a quantidade de pacientes aguardando pelo tipo de órgão e modalidade de transplante.

De acordo com a secretária de Atenção Especializada à Saúde (SAES), Maíra Botelho, as informações podem contribuir muito para analisar o cenário da doação de órgãos no Brasil. “Quando esses dados são analisados em conjunto podem revelar a importância de se discutir em família sobre a vontade de cada um em se tornar doador de órgãos”. A secretária explica que isso se dá pela diferença entre a quantidade de pessoas que aguardam por algum órgão para transplante e o número de procedimentos realizados. “Havendo mais pessoas dispostas a doar, a chance daqueles que aguardam por um órgão serem contemplados também aumenta”, destaca Maíra.
Doação e transplantes de órgãos no Brasil

O Brasil é o segundo país do mundo que mais realiza transplantes, que é garantido a toda a população por meio do SUS. Em 2021, foram feitos cerca de 23,5 mil procedimentos, desse total, cerca de 4,8 mil foram transplantes de rim, 2 mil de fígado, 334 de coração e 84 de pulmão, entre outros. O país tem mais de 600 hospitais de transplantes autorizados.

Através do QualiDOT, o Programa de Qualificação do Sistema Nacional de Transplantes, o Ministério da Saúde implantou a avaliação de critérios e indicadores dos centros transplantadores do país. O programa consiste no monitoramento e avaliação dos serviços de transplantes de órgãos e de medula óssea, mediante acompanhamento de indicadores quali-quantitativos e a concessão de incentivo financeiro adicional para serviços de alta performance.

Karol Ribeiro
Ministério da Saúde
Categoria
Saúde e Vigilância Sanitária





Autor: gov
Publicado: 2022-09-30Mais...
 

Diabetes é a variável que mais impacta número de mortes por infarto

Já são conhecidos vários fatores que aumentam o risco de infarto, como glicose elevada (hiperglicemia), obesidade, colesterol alto, hipertensão e tabagismo. E agora um estudo publicado na revista PLOS ONE mensurou o impacto de cada um deles nas estatísticas de morte por doença cardiovascular. A hiperglicemia mostrou uma associação com esse desfecho de cinco a dez vezes maior do que outros fatores.


Pesquisadores da USP analisaram o peso de diferentes fatores de risco nas estatísticas de morte por doenças cardiovasculares. Resultados publicados na PLOS ONE mostram que a hiperglicemia representa um risco ainda maior para mulheres (foto: F. Richter/Pixabay)

Foram usados dados de fontes governamentais, como os ministérios do Desenvolvimento Social e da Saúde e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrados entre 2005 e 2017. Os números foram confrontados com informações de outros bancos, como o Global Health Data Exchange (GHDx) e o repositório do Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), da Universidade de Washington (Estados Unidos).

Por meio de métodos estatísticos, os pesquisadores determinaram o número de óbitos atribuídos a cada fator de risco. O objetivo da pesquisa, apoiada pela FAPESP, foi ajudar a encontrar estratégias mais eficazes para reduzir a incidência de doenças cardiovasculares – que ainda são as maiores causas de morte no país.

“Independentemente do controle que usávamos – e testamos diferentes tipos de variável, modelos estatísticos e métodos – o diabetes sempre se associava à mortalidade por doenças cardiovasculares. Mais do que isso: é uma associação que não se restringia ao ano analisado, mas perdurava por até uma década”, explica Renato Gaspar, pós-doutorando no Laboratório de Biologia Vascular do Instituto do Coração (InCor), viculado à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP).

Estudos anteriores estabeleceram uma equação para calcular o número de mortes prevenidas ou adiadas devido a mudanças em fatores de risco. Assim, foi possível analisar também as taxas de mortes “prematuras”, calculadas em relação à expectativa de vida padrão. Os autores concluíram que cerca de 5 mil pessoas não teriam morrido por doença cardiovascular no período analisado caso os índices de diabetes fossem menores na população. Por outro lado, a pesquisa também permitiu concluir que pelo menos 17 mil mortes foram evitadas somente pela diminuição do consumo de cigarros durante esses 12 anos.

“Nossos achados fornecem evidências de que as estratégias para reduzir o tabagismo foram fundamentais para a redução da mortalidade por doença cardiovascular”, apontam os autores.

Outro ponto que chamou a atenção dos cientistas foram as diferenças de gênero. “As disparidades sexuais reiteram outros estudos que apontam o diabetes e a hiperglicemia como fatores de risco mais fortes para doença cardiovascular em mulheres do que em homens”, advertem.

Impacto socioeconômico

A mortalidade e a incidência de doenças cardiovasculares diminuíram 21% e 8%, respectivamente, entre 2005 e 2017 no Brasil. Além da redução do tabagismo, o maior acesso à saúde básica é listado como um dos responsáveis pela melhora nos índices. Essa observação levou em conta a questão da hipertensão, frequentemente associada a problemas cardíacos. No entanto, ela representou sete vezes menos mortes por doenças cardiovasculares do que a hiperglicemia. Uma das possibilidades é que o acesso ao sistema de saúde universal, com aumento na cobertura de atenção primária, tornou alta na população a taxa de controle da hipertensão.

Corrobora esse achado o fato de que a associação entre hiperglicemia e mortalidade por doença cardiovascular foi independente do nível socioeconômico e do acesso aos cuidados de saúde. Os pesquisadores inseriram covariáveis nos modelos analisados para contabilizar dados como renda familiar, benefício do Bolsa Família, produto interno bruto (PIB) per capita, número de médicos por habitantes e cobertura de atenção primária.

“Além de aumentar a renda, diminuir a desigualdade e a pobreza e ampliar a qualidade e o acesso à saúde, precisamos olhar para o diabetes e para a hiperglicemia de maneira específica”, aponta Gaspar, ressaltando que o país tem discutido pouco questões como o alto consumo de açúcar.

“Precisamos de uma política de educação nutricional. Debater se vale a pena colocar uma tarja nos produtos açucarados com um alerta, como nas embalagens de cigarro, ou taxar produtos com açúcar adicionado de forma a incentivar as indústrias a reduzir esse ingrediente. São questões bastante debatidas em outros países e que precisam ser pautadas aqui.”

Para mitigar os índices de doença cardiovascular no Brasil, as políticas de saúde devem ter como objetivo reduzir diretamente a prevalência de hiperglicemia, seja pela educação nutricional, pela restrição a alimentos com açúcar adicionado ou pelo mais amplo acesso às novas classes de medicamentos capazes de diminuir a chance de o paciente diabético morrer por infarto.

O artigo Analysing the impact of modifiable risk factors on cardiovascular disease mortality in Brazil está disponível em: https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0269549.






Autor: Ricardo Muniz | Agência FAPESP
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 28/09/2022
Publicação Original: https://agencia.fapesp.br/diabetes-e-a-variavel-que-mais-impacta-numero-de-mortes-por-infarto/39684/
Publicado: 2022-09-30Mais...
 

Furacão Ian: entenda fenômeno que tornou tempestade na Flórida ainda mais perigosa



CRÉDITO,FOTO DE SATÉLITE

A única coisa 100% previsível em relação aos furacões são suas constantes mudanças.

Esses fenômenos atmosféricos — formados com a energia das águas quentes e dos ventos, e comuns em regiões como o Oceano Atlântico — representam um desafio para os cidadãos e para os meteorologistas devido à sua instabilidade.


É necessário acompanhar sua trajetória minuto a minuto por meio de radares e satélites para antecipar seu comportamento e, assim, se preparar para qualquer eventualidade que represente um risco à vida e ao patrimônio.


E uma das mudanças que mais surpreende meteorologistas e especialistas em clima, porque o motivo ainda não está totalmente claro, é a chamada substituição da parede do olho do furacão.


Este evento, que geralmente ocorre em grandes furacões de categoria 3, 4 e 5, pode mudar o efeito de um ciclone quando atinge terra firme.



CRÉDITO,GETTY IMAGES


Na terça-feira (27/09), o furacão Ian, um poderoso ciclone de categoria 4 com ventos sustentados de mais de 240 km/h, passou pelo processo de substituição da parede do olho.


Ele fez isso logo após atingir a província de Pinar del Río, em Cuba, e antes de chegar ao Estado da Flórida, nos EUA, onde está causando grandes danos devido aos fortes ventos e uma enorme tempestade.

A parede do olho

A primeira coisa que você precisa saber é que, de acordo com o Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês) dos EUA, estes fenômenos atmosféricos têm uma estrutura que é dividida em três partes: o olho, a parede do olho e as faixas de chuva.


Nas faixas de chuva, há nuvens e fortes trovoadas que se movem em espiral, produzindo ventos e, às vezes, tornados. Já o olho é uma área de relativa calma, um centro em torno do qual giram as faixas de precipitação.


E a parede é justamente a área mais próxima do olho.


"A parede do olho consiste em um anel de altas tempestades elétricas que produzem fortes chuvas e, geralmente, os ventos mais fortes", diz o NHC sobre essa zona dos furacões.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

A circulação dos ventos do furacão Ian fez parte da água da Baía de Tampa recuar, ao se aproximar da costa da Flórida


As mudanças na estrutura do olho ou de sua parede podem tornar os ventos de um ciclone mais fortes ou mais fracos.


"O olho pode crescer ou diminuir de tamanho, e paredes duplas podem se formar", acrescenta o NHC.

A substituição da parede e seus efeitos


A substituição da parede do olho costuma ocorrer em furacões de maior intensidade, explicou à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, o meteorologista Ernesto Rodríguez, que trabalha no Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos.


Estes ciclones, que vão da categoria 3 a 5 na escala Saffir-Simpson, têm ventos sustentados de mais de 178 km/h.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

O furacão Ian deixou um rastro de destruição em Cuba


"O que acontece é que uma parede maior de tempestades elétricas começa a rodear e sufocar o núcleo interno que havia se formado originalmente. O novo anel de tempestades rodeia a parede do olho mais antiga, e esta acaba desaparecendo", explica o especialista.


Quando passam por esse processo, que geralmente acontece enquanto o furacão está em vias de se fortalecer, as tempestades deixam de ganhar força.


"É que passam por ciclos em que o olho vai mudando de diâmetro. A substituição do olho os mantém [os furacões] estáveis, ​​e depois eles se intensificam novamente", acrescenta Rodríguez.


O especialista deu como exemplo o furacão Maria, que atingiu Porto Rico em 2017. A tempestade era de categoria 5, com ventos sustentados de 257 km/h, mas durante a substituição da parede do olho, pouco antes de atingir o território, sua força foi reduzida para categoria 4, com ventos de 249 km/h.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Ao passar por Cuba, o furacão Ian deixou pelo menos dois mortos


Mas quando a substituição da parede do olho termina, essa parte do furacão, que é a mais poderosa e perigosa, acaba com um diâmetro maior.


"Ao expandir o diâmetro do olho, haverá mais áreas que serão impactadas pelos ventos mais fortes", diz Rodríguez.


Isso significa que as áreas mais destrutivas vão atingir mais terras.


O processo de substituição da parede do olho pode ocorrer mais de uma vez.


No caso do furacão Ian, seu olho original tinha 20 milhas náuticas de diâmetro — e após a substituição da parede do olho, ficou 75% maior, com 35 milhas náuticas.






Autor: Ronald Ávila-Claudio - @ronaldavilapr
Fonte: BBC News Mundo
Sítio Online da Publicação: BBC
Data: 29/09/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-63072320
Publicado: 2022-09-29Mais...
 

Soluções em transporte sustentável serão apoiadas

FAPESP lança chamada do BIOEN para estimular a pesquisa em bioenergia que contribua com soluções eficientes para o transporte de longa distância

O Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) anuncia uma chamada de propostas para estimular a pesquisa em bioenergia que contribua com soluções eficientes para o transporte sustentável de longa distância.



As abordagens devem considerar o contexto local brasileiro e contribuir para a redução de emissões por quilômetro rodado e para o aumento da fração renovável da matriz de transporte usando biomassa.

Serão selecionadas pesquisas que contribuam para: viabilizar a implementação de tecnologias em desenvolvimento; reforçar a capacidade instalada; estimular a formação de novos grupos; e ampliar estudos de soluções aplicáveis em contextos internacionais similares ao brasileiro.

Os projetos deverão contribuir com resultados que possam auxiliar nos objetivos do BIOEN em sua parceria com o Programa de Colaboração em Tecnologia de Bioenergia da Agência Internacional de Energia (IEA).

As áreas prioritárias da chamada são: Tecnologias em desenvolvimento; Tecnologias inovadoras; Tecnologias indiretas; e Aspectos transversais.

As modalidades de apoio da chamada são os auxílios à pesquisa Temático, Regular, Jovem Pesquisador e PITE.

O apoio financeiro da FAPESP para o total das propostas selecionadas na chamada é de R$ 20 milhões.

As propostas deverão ser submetidas pelo SAGe até 24 de fevereiro de 2023.

A chamada está publicada em: https://fapesp.br/15675.







Autor: FAPESP 
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 29/09/2022
Publicação Original: https://fapesp.br/15689/solucoes-em-transporte-sustentavel-serao-apoiadas
Publicado: 2022-09-29Mais...
 

Grupo usa celulose para retardar a liberação de fertilizantes no solo e criar vasos autofertilizantes

Uma equipe do Laboratório de Materiais Poliméricos e Biossorventes da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) produziu e está testando materiais à base de celulose com o objetivo de melhorar a disponibilidade de nutrientes para o cultivo agrícola, evitando a produção de resíduos não biodegradáveis no campo.


A primeira e a terceira foto mostram o papel feito com a celulose de cana fosforilada; a segunda foto ilustra a estrutura 3D do material composto por celulose e nutriente; e, na quarta imagem, vemos as micropartículas em pó e os tabletes de nanocelulose já moldados (fotos: acervo dos pesquisadores)

Os resultados dos estudos, orientados pela professora Roselena Faez e financiados pela FAPESP, foram publicados recentemente em dois artigos.

O trabalho publicado na revista Carbohydrate Polymers tem como primeira autora a química Débora França. Nele, o grupo usou nanocelulose modificada para tentar desacelerar a liberação, no solo, dos nutrientes contidos nos fertilizantes. Isso porque os sais que contêm os principais macronutrientes (nitrogênio, fósforo e potássio) são muito solúveis e têm muita mobilidade.

“O potássio é um íon rapidamente lixiviado pela chuva. Ele tem muita mobilidade iônica, é o pior deles no sentido de se tentar uma liberação controlada. Já o nitrogênio pode ser obtido de várias fontes: nitratos, amônia, ureia. Mas o nitrato é a fonte de onde a planta obtém mais facilmente o nitrogênio de que precisa. E, a exemplo do potássio, também pode ser carregado facilmente pela água, não permanecendo muito tempo no solo. Já o fósforo [uma forma de fosfato] é um íon muito grande, que não tem tanta mobilidade como os outros macronutrientes”, explica Faez, que coordena o Grupo de Pesquisa em Materiais Poliméricos e Biossorventes no campus da UFSCar sediado em Araras.

Segundo a pesquisadora, existem no mercado produtos com a função de desacelerar a liberação desses nutrientes, mas são, em sua maioria, compostos por polímeros sintéticos, não biodegradáveis. “O grão do fertilizante é do tamanho de uma pedrinha de sal grosso. Para que os nutrientes sejam liberados mais lentamente, ele é recoberto por camadas de polímeros. Uma camada, dependendo do tipo de material, dura mais ou menos dois meses. Então, recobre-se com duas, três ou quatro camadas, conforme o tempo em que se quer liberar o nutriente”, explica Faez, ressaltando que os plásticos usados para envolver as partículas ficam no solo e representam um problema a médio e longo prazo, como geração de microplásticos.

A equipe da UFSCar desenvolveu um produto bem diferente, com base na interação química entre a nanocelulose modificada e os sais, para mantê-los no solo. “Neste trabalho, focamos nos problemas piores: o nitrato e o potássio. E desenvolvemos um material totalmente biodegradável com uma taxa de liberação desses nutrientes muito próxima dos materiais sintéticos disponíveis.”

França usou nanocelulose obtida a partir de celulose pura doada por uma indústria de papel e modificou sua superfície de modo a ter cargas positivas e negativas. “Sendo os sais também compostos de partículas carregadas positiva ou negativamente e muito solúveis, a hipótese foi de que a nanocelulose com carga negativa reagiria com os íons positivos dos sais e a nanocelulose positiva interagiria com os íons de carga negativa, o que reduziria a solubilidade desses sais. Ela foi confirmada e o grupo conseguiu modular a liberação dos nutrientes, dependendo do tipo de partícula que havia no material.”

Avaliação em solo

Além de confeccionar o produto, em forma de tabletes, o grupo avaliou sua performance na liberação dos nutrientes em solo (geralmente, determina-se a taxa de liberação do material colocando-o em água, um sistema bem diferente do solo). O trabalho foi feito em parceria com Claudinei Fonseca Souza, professor do Departamento de Recursos Naturais e Proteção Ambiental da UFSCar-Araras.

“Avaliamos a liberação dos nutrientes no solo e a biodegradação do material no local durante cem dias. Mas estamos, propositalmente, usando um solo muito pobre, com baixa matéria orgânica, pois assim conseguimos ver os efeitos físicos da liberação com mais facilidade”, conta Faez.

Os cientistas utilizaram duas técnicas para obter os tabletes. Primeiro, secagem e atomização por spraydryer (equipamento que remove a umidade e transforma o material em pó), por meio da qual a nanocelulose encapsulou os nutrientes. Depois, o pó obtido foi submetido a processamento térmico e prensado em um molde. O trabalho foi realizado com auxílio de colegas do Laboratório de Materiais de Celulose e Madeira da Empa (Laboratórios Federais Suíços para Ciência e Tecnologia de Materiais) e do Grupo de Pesquisa em Engenharia de Água, Solo e Ambiente, liderado por Souza. França realizou as modificações na celulose no laboratório na Suíça, durante estágio realizado com bolsa da FAPESP. A pesquisadora também foi apoiada por Bolsa de Doutorado no Brasil.

Autofertilização

O segundo artigo recente do grupo foi publicado no periódico Industrial Crops and Products e tem como primeiro autor o químico Lucas Luiz Messa. O objetivo do estudo foi retirar a celulose do bagaço da cana-de-açúcar e modificá-la com uma carga negativa na superfície por meio da incorporação de porções de fósforo (fosforilação), o que permitiria a entrega controlada de nutrição vegetal. A ideia era que cátions de macro e micronutrientes se ligassem aos ânions de fósforo da superfície celulósica modificada, o que retardaria o processo de entrega dos nutrientes.

O grupo preparou três tipos de estruturas com a celulose fosforilada: filmes semelhantes a papel; um pó, com o uso de spraydryer; e uma estrutura muito leve, parecida com um pedacinho de isopor, por meio de freezdryer (técnica em que o material é congelado com água e, quando esta é retirada, sobram buraquinhos em seu lugar; neste caso, os cientistas observaram que, ao retirar a água, por liofilização, os nutrientes ficaram nesses buracos).

“Mas, tecnologicamente, a estrutura semelhante a um papel foi o melhor material que produzimos para entregar nutrientes de maneira controlada. Com esse papel pode-se criar vários produtos”, comenta Faez.

Os resultados obtidos no trabalho de Messa permitiram desenvolver vasos (potes de propagação) pequeninos para o cultivo de mudas. Esse material, quando se degrada, já libera o fósforo que está em sua composição. De acordo com Faez, o processo de obtenção da celulose fosforilada é barato, o que faz com que o produto final seja obtido sem muito custo. “São mais ou menos R$ 0,27 por grama de papel produzido. O vasinho deve ter mais ou menos 1 grama. Sai, portanto, cerca de R$ 0,30 a unidade, pensando no preço de laboratório.”

A professora da UFSCar lembra que já existem potes de propagação biodegradáveis no mercado. “Mas nosso produto já tem o fertilizante no próprio material, o que é um grande diferencial. Tanto que fizemos um pedido de propriedade intelectual.”

O vaso está prestes a ser testado por um produtor de flores de Holambra, para quem já foram enviadas algumas remessas, feitas em laboratório. Na bancada, o teste de liberação de nutrientes foi feito somente na água. “Chamamos esse método de avaliação acelerada da liberação dos íons, porque na água ela é mais rápida. Mas, mesmo na água, comparando o comportamento do íon no material e sem o material, tivemos uma redução da liberação entre 40% e 50%. Então, mesmo em água, conseguimos reter esses íons. Imaginamos que em substrato seja ainda mais lenta a entrega.”

O trabalho também foi apoiado pela FAPESP por meio de uma Bolsa de Doutorado no Brasil e uma Bolsa no Exterior – Estágio de Pesquisa concedidas a Messa – além de um Auxílio à Pesquisa Regular concedido a Faez.

Messa contou com a ajuda de um colega da Universidade da Califórnia (Estados Unidos), onde realizou estágio de pesquisa.

O artigo Sugarcane bagasse derived phosphorylated cellulose as substrates for potassium release induced by phosphates surface and drying methods pode ser acessado em: www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0926669022008330?via%3Dihub#!.

Já o trabalho Charged-cellulose nanofibrils as a nutrient carrier in biodegradable polymers for enhanced efficiency fertilizers, conduzido por França, pode ser consultado em: www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0144861722008396?via%3Dihub.







Autor: Karina Ninni 
Fonte: Agência FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 29/09/2022
Publicação Original: https://agencia.fapesp.br/grupo-usa-celulose-para-retardar-a-liberacao-de-fertilizantes-no-solo-e-criar-vasos-autofertilizantes/39699/
Publicado: 2022-09-29Mais...
 

"Pequeno peregrino das árvores" é o mais novo dinossauro brasileiro identificado

O time dos dinossauros brasileiros acaba de ganhar um novo reforço, o Ibirania parva, espécie que acaba de ser descrita e identificada em pesquisa com participação da USP. O dinossauro, de quatro patas, pescoço longo, cabeça pequena e herbívoro, pertence a um grupo famoso pelos animais gigantescos, o dos titanossauros. No entanto, ele possui cerca de 5 a 6 metros de comprimento, o que o torna pequeno diante de outros dinossauros do mesmo grupo, que podiam atingir incríveis 30 metros, sendo considerada a primeira espécie de titanossauro anã encontrada nas Américas. O animal teria vivido há 80 milhões de anos, na região onde hoje se encontra a cidade de Ibirá, no noroeste do Estado de São Paulo, e por essa razão, além do tamanho reduzido, ganhou um nome científico que pode ser traduzido como “o pequeno peregrino das árvores”.


Os resultados da pesquisa são detalhados em artigo publicado na revista científica Ameghiniana, publicado em 15 de setembro. Os primeiros vestígios da nova espécie começaram a ser localizados a partir de 1999 numa localidade conhecida como Sítio dos Irmãos Garcia, distrito de Vila Ventura, município de Ibirá, em escavações realizadas pelo Museu de Paleontologia Professor Antônio Celso de Arruda Campos, sediado na cidade de Monte Alto, no interior de São Paulo. “As rochas presentes nessa localidade são do período Cretáceo Superior, da Formação São José do Rio Preto, com idade de 80 milhões de anos”, relata ao Jornal da USP o pesquisador Bruno Albert Navarro, do Museu de Zoologia (MZ) da USP, que liderou o trabalho. “Muitos fósseis de dinossauros herbívoros já eram conhecidos desde os anos 1960 na região, mas até o momento nenhuma espécie havia sido identificada e nomeada.”





Os fragmentos do animal usado para dar o nome à espécie (holótipo) foram descobertos em 2005 pelo professor Marcelo Adorna Fernandes, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). “Dentre os materiais recuperados, estão diversos elementos vertebrais e dos membros de, pelo menos, quatro indivíduos diferentes”, diz Navarro, que estuda os fósseis da espécie desde a graduação, em parceria com a pesquisadora Aline Ghilardi, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). “Desde então já sabíamos que se tratava de uma nova espécie, por conta de apresentar uma série de características anatômicas únicas, restando apenas formalizar sua descrição e batizá-la. Mas ainda restavam dúvidas se esta nova espécie estava representada por um animal juvenil, dado o tamanho modesto dos restos recuperados.”


Durante o mestrado, o pesquisador localizou e identificou em museus do interior paulista outros vestígios de animais dessa mesma espécie, que compartilhavam as mesmas características anatômicas e foram encontrados muito próximos de onde saíra o holótipo. “Com isso pudemos constatar que não se tratava de um animal jovem, mas sim que todos aqueles indivíduos representavam uma nova espécie de titanossauro com proporções corporais bastante reduzidas”, descreve. “A partir daí realizamos uma série de análises de tomografia computadorizada e histologia óssea e constatamos que, de fato, os animais desta espécie já haviam atingido sua maturidade esquelética antes do momento em que morreram.”


Bruno Albert Navarro - Foto: Reprodução/ Twitter

“Adicionalmente, percebemos que estes animais apresentavam resquícios de sacos aéreos em suas vértebras e um estudo conduzido pelo pesquisador Tito Aureliano, da UFRN, identificou que um dos animais sofria de infecção parasitária”, destaca Navarro. Sacos aéreos são estruturas que auxiliavam na respiração dos animais. Durante o ano de 2020 foi concluída a descrição da nova espécie, que foi batizada como Ibirania parva. “Ibirania é a junção das palavras Ibirá, em homenagem à cidade onde a espécie foi encontrada, e ania, que em grego significa ‘caminhante, peregrino’, já parva é o termo em latim para ‘pequeno’, devido ao tamanho reduzido da espécie. Como a palavra Ibirá vem do tupi, significando ‘árvore’, podemos traduzir o nome desse novo dinossauro como ‘o pequeno peregrino das árvores’”.

Pequeno peregrino das árvores

“Já sabíamos que o Ibirania parva era bastante pequeno quando comparado a outros titanossauros, mas ao estimar seu tamanho aproximado nos surpreendemos ainda mais: os espécimes identificados teriam entre 5 e 6 metros de comprimento, configurando-o como um dos menores dinossauros saurópodes até então conhecidos”, relata Navarro. Os saurópodes são dinossauros com cabeça pequena, pescoço longo, quadrúpedes e herbívoros, geralmente de grandes dimensões, podendo alcançar até 30 metros de comprimento. “Analisando e comparando estes fósseis com outros animais do mesmo grupo, encontrados no Brasil e em outros lugares do mundo, foi possível concluir que o pequeno titanossauro de Ibirá pertencia a uma família até então não registrada no Brasil, e que também são conhecidos por terem tamanhos corporais menores em relação aos seus contemporâneos: os saltassaurídeos.”

De acordo com o pesquisador do MZ, alguns saltassaurídeos sul-americanos e formas associadas, como os lirainossauríneos, possuíam uma tendência contrária ao gigantismo exibido por outros titanossauros e, em alguns casos, até algumas espécies foram identificadas como “anãs”. “O que todas essas formas têm em comum é que viveram em ambientes com forte influência marinha, como as antigas ilhas onde hoje é a Europa, ou a Argentina e o Equador. A nossa grande surpresa foi encontrar fósseis de uma espécie de titanossauro anão no interior do Brasil”, aponta. “Sabemos agora que a redução de tamanho em alguns dinossauros não ocorria apenas por fatores oriundos do isolamento em ilhas. Ibirania é a primeira espécie de titanossauro comprovadamente anã das Américas. Ela viveu em um contexto muito diferente dos outros dinossauros anões já encontrados e acrescenta novas informações sobre a evolução e ocorrência de nanismo em dinossauros.”

Durante o final do período Cretáceo, há 80 milhões de anos, o interior paulista era bem diferente dos dias atuais, nele habitavam muitos crocodilos terrestres e titanossauros, incluindo alguns gigantes como o Austroposeidon magnificus, em um ambiente que lembraria mais as savanas africanas de hoje. “Mas havia algo de especial na região de Ibirá que favoreceu a existência destes titanossauros menores. Diferente de outros anões que viviam em ilhas tropicais do passado, o Ibirania vivia no interior do Brasil, em um ambiente semiárido a árido e com pouco alimento”, observa Navarro. “Uma configuração específica do habitat, como refúgios de vegetação temporários, e a limitação de alimento imposta em estações secas prolongadas podem ter favorecido positivamente animais menores, dado que estes requerem menos recursos que animais de grande porte”.

Os pesquisadores fizeram uma reconstrução de como seria o esqueleto do Ibirania com base nos materiais recuperados e em seus parentes mais próximos. A ilustração foi feita por Sérgio Lages, e a reconstituição do animal em vida e em seu habitat foi feita pelos paleoartistas Hugo Cafasso e Matheus Fernandes Gadelha. Paleoartistas são especialistas que usam diversas técnicas, como escultura e pintura, para reconstituir a possível aparência de animais pré-históricos.



Imagem: Hugo Cafasso e Matheus Fernandes Gadelha



Imagem: Sérgio Lages

Além de Navarro, participaram do trabalho Alberto Carvalho, André Cattaruzzi e Hussam Zaher, do MZ, Luiz Eduardo Anelli, do Instituto de Geociências (IGc) da USP, Aline Ghilardi e Tito Aureliano, do Dinosaur Ichnology and Osteohistology Laboratory (DINO lab), da UFRN, Kamila Bandeira, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ariel Martine, da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), Marcelo Adorna Fernandes, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Verónica Díez Díaz, do Museum für Naturkunde, na Alemanha, e Fabiano Iori, do Museu de Paleontologia Pedro Candolo, em Uchoa.






Autor: jornal.usp
Fonte: jornal.usp
Sítio Online da Publicação: jornal.usp
Data: 26/09/2022
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/pequeno-peregrino-das-arvores-e-o-mais-novo-dinossauro-brasileiro-identificado/
Publicado: 2022-09-27Mais...
 

Astrônomos detectam sinais de pontos quentes na órbita de buraco negro da Via Láctea

Uma equipe de astrônomos do Observatório Europeu do Sul (ESO) detectou uma bolha de gás quente em torno do buraco negro supermassivo Sagitário A*, localizado no centro da nossa galáxia, a Via Láctea. Com o auxílio do radiotelescópio Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (Alma), instalado no Chile, os astrônomos descobriram sinais da bolha, conhecida como ponto quente, orbitando em torno de Sagitário A* após uma explosão de energia de raios-X emitida a partir do centro da Via Láctea. A descoberta ajuda a entender melhor o ambiente enigmático e dinâmico do buraco negro supermassivo.

A pesquisa é apresentada no artigo Orbital motion near Sagittarius A* – Constraints from polarimetric ALMA observations, publicado no site da revista científica Astronomy & Astrophysics em 22 de setembro.

Um dos coautores do trabalho é o astrofísico Ciriaco Goddi, da Università degli Studi di Cagliari, na Itália, e que, atualmente, está no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP. “Em 11 de abril de 2017 houve uma explosão de energia de raios-X, e nossa curva de luz revelou um sinal compatível com um ponto quente”, lembra Goddi, que, na época, estava no Chile observando com o Alma. “Assim, conseguimos ligar os dois fenômenos pela primeira vez a um mecanismo conhecido como reconexão magnética, ou seja, uma interação magnética ocorrendo no gás quente em órbita próximo ao buraco negro.”



Com o auxílio do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (Alma), os astrônomos descobriram sinais de um ponto quente em órbita de Sagitário A*, o buraco negro no centro da nossa galáxia. Pontos quentes são bolhas de gás que se deslocam a altas velocidades em órbitas muito próximas do buraco negro

As observações foram obtidas com o Alma nos Andes chilenos — um radiotelescópio que pertence parcialmente ao Observatório Europeu do Sul (ESO) — durante uma campanha da Colaboração EHT (Event Horizon Telescope) destinada a obter imagens de buracos negros. Em abril de 2017, o EHT conectou oito radiotelescópios existentes em todo o mundo, incluindo o Alma, para obter dados que resultaram na primeira imagem de Sagitário A*, recentemente divulgada.

Para calibrar os dados do EHT, os astrônomos usaram dados do Alma registrados simultaneamente com as observações de Sagitário A*. Algumas das observações tinham sido realizadas pouco depois de uma explosão de energia de raios-X emitida a partir do centro da nossa galáxia, que foi detectada pelo Telescópio Espacial Chandra da Nasa. Acredita-se que esses tipos de explosões, observadas anteriormente por telescópios infravermelhos e de raios-X, estejam associadas aos chamados “pontos quentes”, bolhas de gás quente que se deslocam a altas velocidades em órbitas muito próximas do buraco negro.

“O que é mesmo novo e interessante é o fato destas explosões estarem, até agora, apenas claramente presentes em observações infravermelhas e de raios-X de Sagitário A*”, aponta Maciek Wielgus, do Instituto Max Planck de Radioastronomia em Bonn, na Alemanha, que liderou o estudo. “Estamos, pela primeira vez, observando fortes indicações de que pontos quentes orbitando o buraco negro também estão presentes em observações de rádio”, completa o pesquisador, também afiliado ao Centro Astronômico Nicolau Copérnico, da Polônia, e à Iniciativa Buraco Negro da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.



Ciriaco Goddi - Foto: Currículo Lattes

“Talvez estes pontos quentes detectados nos comprimentos de onda do infravermelho sejam uma manifestação do mesmo fenômeno físico: à medida que esfriam, os pontos quentes que emitem no infravermelho tornam-se visíveis em comprimentos de onda mais longos, como os observados pelo Alma e pelo EHT”, acrescenta Jesse Vos, estudante de doutorado na Universidade Radboud, Holanda, que também participou da pesquisa. Durante muito tempo, os cientistas especulavam que as explosões teriam origem nas interações magnéticas do gás muito quente que orbita muito próximo de Sagitário A*. “Agora descobrimos fortes evidências para uma origem magnética destas explosões e as nossas observações dão pistas sobre a geometria do processo. Os novos dados são extremamente úteis na construção de uma interpretação teórica destes eventos”, diz a coautora Monika Mościbrodzka, da Universidade Radboud.

Sinal compatível

O Alma permite aos astrônomos estudar emissão de ondas de rádio polarizada de Sagitário A*, a qual pode ser usada para investigar o campo magnético do buraco negro. A equipe utilizou estas observações juntamente com modelos teóricos para aprender mais sobre a formação do ponto quente e o ambiente em que se encontra, incluindo o campo magnético que rodeia Sagitário A*. Assim, foi possível estabelecer os limites do campo magnético com mais clareza, ajudando os astrônomos a descobrir a natureza do buraco negro e seus arredores. As observações confirmam algumas das descobertas anteriores feitas com o auxílio do instrumento Gravity montado no Very Large Telescope (VLT) do ESO, que observa no infravermelho. Tanto os dados do Gravity como os do Alma sugerem que a explosão tem origem em um aglomerado de gás que orbita em torno do buraco negro a cerca de 30% da velocidade da luz, no sentido horário no céu.


Foto: Arquivo pessoal


Foto: Arquivo pessoal


Foto: Arquivo pessoal


Foto: Arquivo pessoal

“No futuro devemos ser capazes de seguir pontos quentes ao longo de várias frequências, usando observações coordenadas em vários comprimentos de onda, obtidas tanto com o Gravity como com o Alma , e o sucesso de tal esforço seria um verdadeiro marco na nossa compreensão da física das explosões no centro galáctico”, diz Ivan Marti-Vidal, da Universidade de Valência, Espanha, coautor do estudo.

Para Goddi, do IAG, a pesquisa também reafirma a importância das observações feitas por instrumentos como o Alma. “A radiação polarizada traz consigo informações que nos permitem identificar e modelar regiões de emissão consideravelmente menores que a resolução efetiva do telescópio”, conclui.

A equipe espera também conseguir observar diretamente com o EHT os aglomerados de gás, para sondar cada vez mais perto do buraco negro e aprender mais sobre ele. “Talvez um dia estejamos confortáveis o suficiente para dizer que ‘sabemos’ o que se passa em Sagitário A*”, conclui Wielgus.

Também fizeram parte do trabalho Z. Gelles, do Center for Astrophysics da Universidade de Harvard e Instituto Smithsoniano (Estados Unidos), J. Farah, do Las Cumbres Observatory e University of California, Santa Barbara (Estados Unidos), N. Marchili, do Centro Regional Alma italiano, Instituto di Radioastronomia (Inaf) e MPIfR (Itália), e H. Messias, do Joint Alma Observatory (Chile).

Criado em 1962 e apoiado por 16 países-membros, o ESO projeta, constrói e opera observatórios de classe mundial no solo, que os astrônomos usam em pesquisas e para promover a colaboração internacional em astronomia.

Com informações do European Southern Observatory (ESO) e da assessoria do IAG/USP





Autor: jornal.usp
Fonte: jornal.usp
Sítio Online da Publicação: jornal.usp
Data: 22/09/2022
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/astronomos-detectam-sinais-de-pontos-quentes-na-orbita-de-buraco-negro-da-via-lactea/
Publicado: 2022-09-27Mais...