COMER À MESA: A INCLUSÃO SOCIAL DA PESSOA SURDA PELA FAMÍLIA, ATRAVÉS DA COMENSALIDADE

Ronaldo Gonçalves Oliveira, Francisco Romão Ferreira, Shirley Donizete Prado

Resumo


Neste artigo, partimos do conceito de despatologização da surdez, proposto por Skliar, e trilhamos o caminho da observação participante, segundo Minayo, para compreender as relações psicossociais entre a pessoa surda, a família e o mundo que a cerca, representado aqui pelo universo escolar. Acreditamos que compreender as relações sociais e familiares que envolvem a surdez é condição fundamental para o provimento, à criança surda, de uma língua que lhe sirva de mediadora entre a linguagem, o pensamento e a sociedade. O conceito de comensalidade, segundo Boutaud, é apresentado como mediador na construção da noção de pertencimento da criança surda à família e à sociedade. As observações se deram a partir de nossa prática docente em espaços escolares dedicados à Educação de Surdos, com orientação didático-pedagógica do Bilinguismo. Apoiamo-nos no conceito de língua de Saussure, nos estudos da linguagem, desenvolvidos por Bakthin, e na formação do pensamento, visto por Vigotsky. Os resultados encontrados apontam para a participação dos pais no processo de formação, sobretudo quando essa participação se dá no âmbito da comensalidade. A interação entre comensais efetiva e constante pode melhorar o desempenho escolar da criança na escola, pois fortalece o processo de empoderamento. Por outro lado, a ausência das relações à mesa, nesse mesmo processo, pode afetar o desempenho cognitivo e precarizar a inclusão social do jovem surdo.

DOI: 10.12957/demetra.2017.28357

 


Palavras-chave


Surdez. Linguagem. Comensalidade. Exclusão Social. Educação.

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DOI: https://doi.org/10.12957/demetra.2017.28357

e-ISSN: 2238-913X


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