v. 7 n. 1 (2026): Revista Desenvolvimento e Civilização
Este número da revista nasce de uma inquietação comum: como pensar
educação, tecnologia e inteligência artificial sem perder de vista as disputas de
poder, soberania e desigualdade que atravessam o nosso tempo?
Não se trata de um dossiê técnico sobre ferramentas digitais, nem de um
entusiasmo acrítico diante da inovação. O que orienta este volume é uma
posição clara: a inteligência artificial, quando entra na educação, não entra
sozinha. Ela carrega modelos de desenvolvimento, racionalidades econômicas,
interesses corporativos, ideologias e projetos de sociedade.
Por isso, a organização dos textos não segue apenas uma lógica temática, mas
um percurso político-intelectual. Optamos por iniciar com o fundamento teórico
que sustenta a própria Cátedra que inspira este projeto, avançar para o debate
internacional sobre o direito à educação na era da IA, descer ao chão do
trabalho docente e das instituições educacionais, explorar experiências
concretas na América Latina, aprofundar a crítica estrutural ao capitalismo digital
e, por fim, ampliar o horizonte para as condições materiais do desenvolvimento
no Sul Global.
A ordem foi pensada como um movimento: da soberania à governança global;
da norma ao cotidiano da escola; da experiência à crítica estrutural; da
regulação às bases materiais do desenvolvimento.
Não é uma sequência neutra. É uma tomada de posição.