ROUPAGEM BONITA, COMPROMISSO EM FARRAPOS: INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E FORMAÇÃO ACADÊMICA NO DIREITO
DOI:
https://doi.org/10.12957/rdciv.2026.94627Resumo
A introdução da inteligência artificial generativa na pós-graduação jurídica brasileira reconfigura relações de poder, hierarquias simbólicas e mecanismos de distinção no campo universitário. Este artigo expõe resultados iniciais de pesquisa qualitativa exploratória em andamento baseada em onze entrevistas semiestruturadas com estudantes de mestrado e doutorado e professores de programas de pós-graduação em Direito no Rio de Janeiro e São Paulo. Utilizando Análise de Conteúdo (Bardin, 2011) e o referencial teórico de Bourdieu, Passeron e Saint Martin (1994), particularmente os conceitos de "desentendimento linguístico" e "retórica do desespero", analisamos como a IA generativa funciona como mediadora tecnológica destes fenômenos. Cinco categorias se delinearam na análise: (1) desentendimento linguístico tecnologicamente mediado; (2) retórica do desespero tecnologicamente mediada; (3) o professor como guardião da missão educativa; (4) ambivalências e usos produtivos; (5) ausência de políticas institucionais. Embora a saturação temática não tenha sido alcançada, sinalizando necessidade de ampliação da amostra, os dados exploratórios indicam que a IA permite produção de textos com sofisticação formal potencialmente desconectada da compreensão substantiva, intensificada por pressões produtivistas do sistema de avaliação da pós-graduação. Os resultados apontam para a urgência de políticas institucionais que equilibrem o potencial da IA com a preservação da missão pedagógica da universidade.
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