“ISSO JÁ PASSOU, TÁ GERAL SE PEGANDO JÁ”: INVESTIGANDO OS USOS DO GRINDR EM TEMPOS DE PANDEMIA

Autores

  • Ruann Moutinho Ruani Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas (PPGECC) da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). https://orcid.org/0000-0002-6712-9285
  • Marcelle Medeiros Teixeira Mestranda (bolsista FAPERJ) no Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas (PPGECC) da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). http://orcid.org/0000-0002-1799-2769
  • Dilton Ribeiro Couto Junior Professor Adjunto da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e do Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas (PPGECC) da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense da UERJ. http://orcid.org/0000-0002-5221-7135

DOI:

https://doi.org/10.12957/redoc.2022.62246

Palavras-chave:

Grindr, Homens gays, Pandemia, Educação.

Resumo

Este artigo, recorte de pesquisa de mestrado recentemente finalizada, propõe-se a conhecer práticas de namoro/“pegação” de homens gays que vêm utilizando o aplicativo Grindr na pandemia. Para isso, adotamos o método da cartografia e entendemos que o trabalho investigativo da/o cartógrafa/o encontra-se aberto à imprevisibilidade das práticas cotidianas ao buscar acompanhar os processos que formam o “relevo da paisagem”. Com os subsídios teórico-metodológicos da cartografia, conversamos com quatro homens gays pelo WhatsApp entre julho de 2020 e abril de 2021. Apostamos na conversa online como procedimento metodológico e interagimos com os sujeitos mediante uma postura investigativa alteritária que valoriza a horizontalidade das vozes, ou seja, buscamos romper com a ideia de que pesquisadoras/es colocam-se na posição de superioridade em relação aos interlocutores da pesquisa. A conversa com os sujeitos evidenciou que, enquanto não houver maior conscientização da população sobre os perigos da COVID-19, continuaremos assistindo de camarote na internet a jovens e adultos marcando encontros presenciais, fazendo “pegação” e contribuindo para que o novo coronavírus continue circulando.

Biografia do Autor

Ruann Moutinho Ruani, Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas (PPGECC) da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas (PPGECC) da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Marcelle Medeiros Teixeira, Mestranda (bolsista FAPERJ) no Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas (PPGECC) da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Mestranda (bolsista FAPERJ) no Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas (PPGECC) da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Dilton Ribeiro Couto Junior, Professor Adjunto da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e do Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas (PPGECC) da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense da UERJ.

Professor Adjunto da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e do Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas (PPGECC) da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense da UERJ.

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Publicado

2022-04-29

Como Citar

RUANI, Ruann Moutinho; TEIXEIRA, Marcelle Medeiros; COUTO JUNIOR, Dilton Ribeiro. “ISSO JÁ PASSOU, TÁ GERAL SE PEGANDO JÁ”: INVESTIGANDO OS USOS DO GRINDR EM TEMPOS DE PANDEMIA. Revista Docência e Cibercultura, [S. l.], v. 6, n. 2, p. 134–149, 2022. DOI: 10.12957/redoc.2022.62246. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/re-doc/article/view/62246. Acesso em: 22 maio. 2024.