“ISSO JÁ PASSOU, TÁ GERAL SE PEGANDO JÁ”: INVESTIGANDO OS USOS DO GRINDR EM TEMPOS DE PANDEMIA

Ruann Moutinho Ruani, Marcelle Medeiros Teixeira, Dilton Ribeiro Couto Junior

Resumo


Este artigo, recorte de pesquisa de mestrado recentemente finalizada, propõe-se a conhecer práticas de namoro/“pegação” de homens gays que vêm utilizando o aplicativo Grindr na pandemia. Para isso, adotamos o método da cartografia e entendemos que o trabalho investigativo da/o cartógrafa/o encontra-se aberto à imprevisibilidade das práticas cotidianas ao buscar acompanhar os processos que formam o “relevo da paisagem”. Com os subsídios teórico-metodológicos da cartografia, conversamos com quatro homens gays pelo WhatsApp entre julho de 2020 e abril de 2021. Apostamos na conversa online como procedimento metodológico e interagimos com os sujeitos mediante uma postura investigativa alteritária que valoriza a horizontalidade das vozes, ou seja, buscamos romper com a ideia de que pesquisadoras/es colocam-se na posição de superioridade em relação aos interlocutores da pesquisa. A conversa com os sujeitos evidenciou que, enquanto não houver maior conscientização da população sobre os perigos da COVID-19, continuaremos assistindo de camarote na internet a jovens e adultos marcando encontros presenciais, fazendo “pegação” e contribuindo para que o novo coronavírus continue circulando.


Palavras-chave


Grindr; Homens gays; Pandemia; Educação.

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DOI: https://doi.org/10.12957/redoc.2022.62246

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