Seleção de artigos publicados – Estudos e Pesquisas em Psicologia
Prezado(a) leitor(a),
A revista Estudos e Pesquisas em Psicologia convida você a conhecer artigos publicados recentemente em suas diferentes seções temáticas. Esperamos que este conteúdo contribua para o aprofundamento das discussões e para o desenvolvimento de pesquisas na área da Psicologia.
PSICOLOGIA SOCIAL
Percepções do Cotidiano de Trabalho de Psicólogos do Poder Judiciário do Rio Grande do Sul
DOI: https://doi.org/10.12957/epp.2026.87222
Gabriela Clerici Christofari, Dorian Mônica Arpini, Laura Cristina Eiras Coelho Soares
A Psicologia Jurídica é uma especialidade em Psicologia, reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia desde 2000, atravessada por diferentes demandas e desafios. Tendo isso em vista, o objetivo do presente artigo é refletir sobre as percepções dos psicólogos jurídicos do Poder Judiciário do estado do Rio Grande do Sul em relação às suas práticas e seu cotidiano de trabalho. Para isso, foi realizada uma pesquisa de caráter qualitativo com onze psicólogos judiciários do Tribunal de Justiça do estado do Rio Grande do Sul. A pesquisa desenvolveu-se através de entrevistas semiestruturadas e a análise dos dados foi feita por meio da Análise Temática. Os resultados principais apontam para um cotidiano de trabalho permeado por demandas que se destacam por sua complexidade. Além disso, os profissionais entrevistados afirmam a percepção de um reconhecimento por parte dos operadores do Direito em relação ao seu trabalho, ao mesmo tempo em que relatam sobrecarga de demandas e um número reduzido de profissionais atuando no Tribunal de Justiça do estado, o que evidencia um ponto crítico a ser enfrentado. Dessa forma, salienta-se a relevância dos profissionais da Psicologia dentro do sistema judiciário, no sentido de auxiliar com compreensões subjetivas inerentes às demandas jurídicas.
Envelhecimento e Educação: Percepções de Mulheres Relacionadas ao Movimento Feminista
DOI: https://doi.org/10.12957/epp.2026.84049
Kamila Braga Vieira, Vanessa de Oliveira Alves, Sandra Regina Mota Ortiz, Rodrigo Jorge Salles, Priscila Larcher Longo
O movimento feminista promoveu transformações significativas, permitindo maior participação das mulheres na sociedade. No entanto, questões como o envelhecimento ainda são pouco exploradas nesse contexto. Este estudo investiga como mulheres ligadas ao movimento feminista percebem o envelhecimento e como essa percepção se relaciona com a educação. Utilizando o Questionário de Autopercepção do Envelhecimento (QAPE), foram entrevistadas 225 mulheres entre 18 e 75 anos, sendo 81,78% simpatizantes e 18,22% participantes ativas do feminismo. Os resultados revelam uma percepção majoritariamente positiva do envelhecimento, com altos escores nos domínios de consequências positivas e controle positivo. A maioria das participantes discordou de afirmações desfavoráveis sobre o envelhecimento, indicando uma visão otimista dessa fase da vida. A representação subjetiva do envelhecimento foi predominantemente cronológica e positiva, sugerindo que as participantes encaram o envelhecer como um processo natural. Esses resultados destacam a importância de incluir o envelhecimento como pauta central no feminismo, ampliando a discussão sobre os desafios enfrentados pelas mulheres idosas, especialmente no âmbito educacional. O estudo contribui para a promoção de representações mais positivas da velhice e para a construção de políticas educacionais inclusivas que atendam às necessidades das mulheres em diferentes fases da vida.
Concepções de Psicólogos em Hospital de Urgência e Emergência: Sobre as Intervenções em Contexto Hospitalar
DOI: https://doi.org/10.12957/epp.2026.85280
Izak Alves dos Santos, Railda Sabino Fernandes Alves
A inserção da psicologia nas políticas públicas de saúde tem encorajado pesquisadores a buscar compreender a prática do psicólogo nos diversos contextos de atuação. Este estudo qualitativo objetivou analisar as concepções que 12 psicólogos de um hospital de urgência e emergência na Paraíba possuíam sobre a compatibilidade de determinadas intervenções com a prática em contexto hospitalar. Utilizou dois questionários para caracterizar a amostra, conhecer a prática realizada no hospital pesquisado e investigar as concepções acerca das intervenções em contexto hospitalar mais amplo. A análise do material foi feita por agrupação das respostas semelhantes e cálculo de suas respectivas frequências. Os resultados mostraram um avanço na compreensão das intervenções concernentes às práticas hospitalares, um afastamento das condutas clínicas tradicionais, um melhor manejo do paciente psiquiátrico. Apresentou como desafios, a atuação junto aos pacientes em Unidade de Terapia Intensiva e a formação dos psicólogos, a qual deve adotar uma ênfase na saúde geral, extrapolando o caráter clínico e eminentemente verbal do processo terapêutico.
Saúde Mental e Trabalho na Pandemia de COVID-19: Estudo Comparativo entre Professores e Professoras Brasileiras
DOI: https://doi.org/10.12957/epp.2026.86670
Carmem Regina Giongo, Marcus Levi Lopes Barbosa, Karine Vanessa Perez, Bruno Chapadeiro Ribeiro
Esta pesquisa teve como objetivo comparar as condições de trabalho e os níveis de depressão, ansiedade e estresse apresentados por professoras e professores no contexto da pandemia por COVID-19. Trata-se de um estudo quantitativo, com delineamento transversal e comparativo, que teve a participação de 2.421 docentes, sendo 1.776 mulheres e 645 homens, com idade média de 42,64 anos. Os participantes atuavam em diferentes níveis de ensino no Brasil. Os instrumentos utilizados foram um questionário semiestruturado acerca das condições de trabalho e a Depression Anxiety Stress Scale-21 para avaliação de indicadores de depressão, estresse e ansiedade. A coleta de dados foi realizada por meio da plataforma Google Forms, entre junho e outubro de 2021. Os resultados apontaram que as professoras apresentaram uma média superior àquela observada nos professores no que se refere ao estresse e à ansiedade. Além disso, os relatos de cansaço, tristeza e medo foram também significativamente mais frequentes entre as professoras. Concluiu-se que as condições de trabalho eram precárias para ambos os sexos, mas que os efeitos na saúde mental se mostraram mais graves para as mulheres.
PSICANÁLISE
O Inconsciente como Política do Outro: Schreber e o Racismo
DOI: https://doi.org/10.12957/epp.2026.83588
Luis Francisco Espíndola Camargo
A partir de uma pesquisa bibliográfica e um estudo de caso, exploramos uma unidade de análise específica do "Caso Schreber" com o objetivo de demonstrar uma das definições de inconsciente proposta por Jacques Lacan: o inconsciente como a política do Outro. Sustentado na ideia de que a família é uma instituição transmissora de crenças e mitos, e a partir de referências históricas sobre o nazismo, demonstramos que o delírio de Schreber contém valores racistas na forma de antissemitismo, cuja origem remonta a política de Bismarck. Nesse sentido, confirmamos a tese de Santner, de que a solução paranoica de Schreber não é somente uma mensagem para o próprio indivíduo, mas para sociedade alemã, cujas características reproduzem o Mito Ariano e as ideias porvindouras do Terceiro Reich. Os mecanismos de transmissão simbólica são explicados por duas teorias. A primeira é extraída do reducionismo biológico realizado por Freud da teoria da recapitulação de Haeckel. A segunda tem origem na absorção de conceitos da linguística realizada por Jacques Lacan, pelos quais descrevemos os mecanismos de transmissão simbólica.
Narrativas do Corpo: Uma Leitura Psicanalítica sobre Tatuagens, Piercings e Escarificações
DOI: https://doi.org/10.12957/epp.2026.83921
Natália de Oliveira de Paula Cidade
O presente artigo parte de uma perspectiva histórica das marcações corporais, destacando nessas práticas a existência de um caráter comunicativo. Se, nas origens ancestrais, havia uma universalidade de significado nestas marcas, na contemporaneidade o corpo se apresenta como potencial emissor de mensagens individualizadas, relacionadas a um tempo anterior à aquisição da linguagem verbal. A finalidade deste texto é problematizar as marcações corporais contemporâneas como práticas que conservam um potencial de endereçamento ao outro, sob a forma de inscrições no corpo. Recorremos aos estudos psicanalíticos acerca dos primórdios do psiquismo e do eu-corporal, momento no qual a sensorialidade e o corpo se destacam como via privilegiada de comunicação. Com base nas contribuições acerca de uma narratividade não verbal do início da vida, que permanece ativa ao longo de nossa existência, refletimos acerca da presença de um potencial narrativo nas inscrições corporais atuais. Para que o caráter de comunicação seja efetivamente experienciado, será necessário um encontro intersubjetivo com um destinatário possível, disposto a escutar o corpo em sua dimensão não-verbal. Nesse sentido, as marcações corporais da contemporaneidade podem ser compreendidas como dotadas de grande potencial de comunicação, mas sua capacidade em se tornar mensagem vai depender da construção de um compartilhamento subjetivo.
Crianças nas Guerras Urbanas Brasileiras: Respostas ao Troumatisme
DOI: https://doi.org/10.12957/epp.2026.84793
Tharso Peixoto Souza, Cristina Moreira Marcos
A violência se apresenta no cotidiano de muitas crianças no Brasil, seja quando testemunham crimes, confrontos policiais, mortes violentas, seja quando a violência se presentifica em casa e se dirige a elas, ocasionando-lhes, como numa zona de guerra, todo tipo de sofrimento. O que fazem essas crianças, em sua grande maioria negras e oriundas das periferias das cidades, para lidarem com esta realidade cotidiana tão brutal? Diante disso, o presente artigo busca apresentar um estudo feito a partir das narrativas de algumas destas crianças, encontradas em diversos materiais escritos ou fílmicos, sobre o modo como lidam com o real da violência ao inventarem suas próprias respostas ao "troumatisme" das cenas violentas, uma vez que estas evocam a dimensão do real, provocando inúmeras instabilidades no sujeito. Tendo a psicanálise como fundamento teórico e método de investigação, analisamos as narrativas a partir da relação do sujeito com um Outro evocado pela violência, ocasionando respostas subjetivas - fantasia, medo, inibição, sintomas e, por vezes, violência. Essas respostas evidenciam tanto a capacidade inventiva do sujeito infantil quanto os efeitos profundos da violência estrutural sobre a infância, indicando a necessidade de escuta clínica, intervenção social e políticas públicas sensíveis a essa realidade.
PSICOLOGIA CLÍNICA
Intervenções para Melhorar a Saúde Mental dos Pós-graduandos: Uma Revisão Sistemática
DOI: https://doi.org/10.12957/epp.2026.85749
Lúcia Maria de Oliveira Santos, Bruna Ribeiro da Silva, Hélio Luiz de Souza Costa, Lauane Caroline de Oliveira, Bruno Araújo da Silva Dantas, Eulália Maria Chaves Maia
Evidências crescentes indicam um aumento na prevalência de problemas de saúde mental entre os estudantes de pós-graduação. Considerando que a pós-graduação pode afetar a saúde mental dos estudantes, surge a seguinte questão: o que as universidades têm implementado de ações para promover e melhorar a saúde mental dos alunos de pós-graduação? Para responder esta pergunta, realizou-se uma revisão sistemática de literatura. O objetivo principal foi identificar ações interventivas destinadas a melhorar a saúde mental dos alunos de pós-graduação oferecidas pelas instituições de nível superior. Vinte e três estudos preencheram os critérios de elegibilidade e oito tipos de intervenções foram encontradas: Psicoeducação sobre o autocuidado em saúde mental, Grupo de apoio, Musicoterapia, Mindfulness e yoga, Práticas espirituais, Atividades orientadas pela Psicologia Positiva, Intervenções assistidas por cães e Uso da tecnologia para a promoção do bem-estar psicológico. Todas as intervenções foram eficazes para ajudar os estudantes de pós-graduação a reduzir seus indicadores de adoecimento mental. Acredita-se que os resultados deste estudo justificam a implementação de políticas e programas voltados a intervenções focadas na saúde mental dos estudantes de pós-graduação.
A Mostração da Angústia e o Saber-Fazer Clínico da Psicologia: Uma Revisão de Escopo
DOI: https://doi.org/10.12957/epp.2026.86511
Eder Oliveira Teixeira, Marisa Amorim Sampaio, Danielle de Fátima da Cunha Cavalcanti de Siqueira Leite, Carmem Lúcia Brito Tavares Barreto
Este estudo é uma revisão de escopo que objetiva investigar a interpretação da angústia (conceito-chave) na clínica psicológica de inspiração fenomenológica hermenêutica no Brasil (campo de pesquisa). Para tanto, foram levantados artigos, dissertações e teses nas bases de dados BVS, CAPES, BDTD e SciELO, sendo encontradas 210 produções. Após análise independente de três juízes, 11 foram selecionadas. A partir dos achados, criaram-se os eixos temáticos: 1) Heidegger em diálogo, que trata das aproximações encontradas de Heidegger com Kierkegaard e Boss; 2) afetividade, tematizando a angústia como afetividade fundamental e outras tonalidades, como solidão e medo; 3) saber-fazer clínico da psicologia, explorando as ressonâncias fenomenológicas hermenêuticas na ação clínica e na compreensão da depressão e da ansiedade. Com isso, mostrou-se importante o desvelamento de outras compreensões acerca da existência humana, das psicopatologias e do próprio sentido de angústia, de modo a romper com as perspectivas patologizantes; a ação clínica do psicólogo comprometida em acompanhar e manter-se na sustentação das mostrações da angústia, possibilitando o despertar da condição existencial radical de cura, liberdade e singularização; e a relevância de mais estudos voltados para compreender como a angústia tem se revelado no contexto ôntico da clínica psicológica.
PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO
Repercussões Clínicas da Avaliação Terapêutica com uma Adolescente em Contexto de Acolhimento Institucional
DOI: https://doi.org/10.12957/epp.2026.84674
Jamille Cavalcante de Oliveira, Ticiane Rodrigues da Silva, Lucila Moraes Cardoso
A Avaliação Terapêutica com adolescentes (AT-A) é uma abordagem de avaliação psicológica colaborativa e semiestruturada, que busca promover o desenvolvimento positivo do adolescente e da família. Pensa-se aqui na realidade de adolescentes que vivem em situação de acolhimento institucional, compreendendo que podem apresentar fragilização ou rompimento dos vínculos e consequências psicossociais. Dessa forma, objetivou-se analisar as repercussões clínicas do processo de AT com uma adolescente em situação de acolhimento institucional, por meio de um estudo de caso, de natureza mista e com fins exploratórios. A adolescente tinha 14 anos e vivia há seis meses na instituição. A análise dos dados contou com materiais descritivos acerca dos atendimentos, somado à comparação pré e pós AT-A, utilizando o método Jacobson e Truax (método JT) e a análise do Índice de Mudança Confiável (IMC). Observou-se que afetos relacionados à institucionalização e às experiências de negligência vivenciadas perpassaram as demandas para avaliação da adolescente, e que adaptações específicas na semiestrutura da AT-A foram necessárias. A AT-A favoreceu mudanças positivas relativas às demandas apresentadas pela adolescente, destacando-se que o espaço seguro e colaborativo promovido na AT-A, assim como os valores subjacentes sustentados no processo, mostraram-se essenciais na promoção das mudanças
Agradecemos o interesse e apoio contínuo em nosso trabalho e desejamos a todos uma boa leitura!
Cordialmente,
Estudos e Pesquisas em Psicologia
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Rio de Janeiro, Brasil
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