Associação entre comer intuitivo e consumo alimentar no diabetes tipo 2: um estudo baseado na classificação NOVA

Fabíola Lacerda Pires Soares, Mariana Herzog Ramos, Monica Cattafesta, Luciane Bresciani Salaroli

Resumo


O objetivo deste trabalho foi avaliar a associação entre alimentação intuitiva e padrão alimentar, segundo a classificação NOVA, em uma população com diabetes mellitus tipo 2 (DM2). Trata-se de estudo observacional transversal em pacientes atendidos em um hospital universitário de Vitória-ES, Brasil. Para a coleta de dados, foi utilizado um questionário semiestruturado, e o consumo alimentar foi avaliado pelo nível de processamento de acordo com a classificação NOVA. O comer intuitivo foi analisado pela Intuitive Eating Scale-2. Foram avaliados 179 indivíduos, em sua maioria mulheres e idosos. A chance de os indivíduos consumirem alimentos não processados ou minimamente processados dobrou nos participantes que tinham feito dieta (OR = 2,149; IC95% = 1,142-4,045; p = 0,018). Em contraste, comer com permissão incondicional reduziu as chances de os participantes consumirem esse grupo de alimentos em 52,7% (OR = 0,473; IC95% = 0,235-0,952; p = 0,036). Além disso, as chances de os participantes consumirem alimentos ultraprocessados foram 2,34 vezes maiores naqueles que tinham DM2 há mais de 10 anos (OR = 2,344; IC95% = 1,114-4,933; p = 0,025). Ao avaliar o comer intuitivo, observou-se que comer em congruência com as necessidades corporais reduziu em 45% as chances de o indivíduo consumir alimentos ultraprocessados (OR = 0,547; IC95% = 0,309-0,968; p = 0,038). Portanto, as subescalas do comer intuitivo foram diferentemente associadas ao consumo alimentar de acordo com o nível de processamento de alimentos em indivíduos com DM2.


Palavras-chave


Comportamento alimentar. Comer intuitivo. Diabetes mellitus. Processamento de alimentos. Classificação de alimentos. NOVA.

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DOI: https://doi.org/10.12957/demetra.2021.57927

e-ISSN: 2238-913X


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