imagens insurgentes

potências pedagógicas e filosóficas do cinema em contextos de privação de liberdade

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/childphilo.2026.95218

Palavras-chave:

cinema, filosofia com crianças, medidas socioeducativas, pedagogia da escuta, imagens precárias

Resumo

Este artigo articula duas experiências de pesquisa desenvolvidas em espaços socioeducativos no Brasil, ambas dedicadas à escuta, à criação e à análise de práticas cinematográficas com adolescentes em privação de liberdade. Partindo de uma perspectiva ético-estética, exploramos as possibilidades filosóficas do cinema como forma de produção de mundos e de subjetividades em contextos marcados pela exclusão, pelo racismo estrutural e pela violência institucional. As investigações, realizadas em diferentes momentos e instituições, propõem metodologias comprometidas com a alteridade, a coautoria e a experimentação estética como modos de resistência e reinvenção da existência. A partir das imagens produzidas por essas juventudes, refletimos sobre os deslocamentos que essas práticas provocam nos modos tradicionais de se conceber a educação, a infância e o próprio cinema. O texto se insere no debate contemporâneo sobre práticas de Filosofia para/com Crianças e Jovens, reivindicando uma práxis que enfrente o colonialismo e o racismo epistêmico em espaços considerados “não ideais” privilegiando experiências atravessadas por imagens e sons.

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Biografia do Autor

adriana fresquet, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Educação, Professora Titular do Departamento Fundamentos da Educação

Saiu da Argentina, Mendoza, aos 29 anos, mãe de três meninas — hoje mulheres —, psicopedagoga. Há pouco mais de 29 anos no Brasil, é Professora Titular da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Vem atuando no ensino, na pesquisa e na extensão universitária, com ações de iniciação ao cinema em espaços educativos, pediátricos, geriátricos e hospitalares, especialmente em escolas públicas. É uma das fundadoras da RED KINO: Rede Latino-americana de Educação, Cinema e Audiovisual. Contribuiu com as políticas públicas relacionadas à Lei do Cinema na Escola no Brasil. Suas publicações buscam encantar com o cinema todos os espaços de formação, despertando as infâncias que nos habitam. Seus cursos e curadorias em festivais de cinema e eventos acadêmicos desejam tecer laços de conhecimento sensível entre os povos irmãos, apostando na amizade que as imagens e os sons geram quando os vemos ou fazemos juntos.

bruno teixeira paes, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Educação

Bruno Teixeira Paes é graduado em Licenciatura em Educação Artística – Habilitação em Música pela UEMG, mestre em Educação pela mesma instituição e Doutor em Educação pela UFRJ. Já atuou como professor substituto da Licenciatura em Cinema e Vídeo da UFF, atuou como autor de livro didático de Arte para os anos finais do ensino fundamental e como tutor e coordenador em programas de formação continuada de professores da Educação Básica. Desenvolve pesquisas em arte-educação, cinema, metodologias de ensino e práticas culturais.

wania da rocha carli †, DEGASE - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Educação

WANIA DA ROCHA CARLI tem formação em Licenciatura em Educação Artística– Música pela UFRJ e Arquitetura e Urbanismo, com foco na pesquisa de espaços culturais e de interesse social. Doutora em Educação pela UFRJ e mestre pela Escola de Música da UFRJ. Membro do CINEAD/LECAV, professora de arte na rede Municipal de Educação de Duque de Caxias/RJ, professora de música/arte no DEGASE/RJ atendendo adolescentes do sistema socioeducativo onde desenvolveu projetos educativos aprovados pela SEEDUC/RJ.

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Publicado

2026-03-30

Edição

Seção

dossier "variações em tom menor em redor da infância, psicologia e educação"