Esquemas para escrever a separação
DOI:
https://doi.org/10.12957/soletras.2025.95510Resumo
Este texto oferece uma leitura de O matrimônio / Diário de separação (2024), da artista paranaense Camila Prando, entendendo-o como um exemplar significativo das práticas poéticas pós-autônomas na cena literária brasileira contemporânea. Estruturada como livro-objeto bifronte, a obra articula poemas, desenhos, carimbos, diário e a reprodução fac-similar de um documento jurídico de divórcio, compondo um dispositivo verbovisual que tensiona fronteiras entre o linguístico, o imagético e o documental. A partir das noções de heteronomia e inespecificidade da arte, formuladas pela crítica Florencia Garramuño, bem como das reflexões da pesquisadora Flora Süssekind sobre coralidade e objetos verbais não identificados, aposta-se na hipótese de que a materialidade gráfica do livro metaforiza a própria experiência de cisão afetiva que o atravessa: o divórcio. O gesto poético analisado, redigido substancialmente em portunhol e marcado por estratégias de contaminação entre discursos, exercita um modo de escrita que encena a fratura do matrimônio e elabora o luto amoroso na tensão do discurso. Nesse sentido, o livro revela uma prática estética expandida, marcada pela convivência entre linguagem, imagem e corpo.
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