O ensino de literatura na encruzilhada da democracia
DOI:
https://doi.org/10.12957/soletras.2025.93694Resumo
Este artigo reflete sobre o problema da legitimidade social e simbólica da literatura no século XXI, evidenciando concepções conservadoras e democráticas de críticos literários novecentistas e contemporâneos. Para tanto, ao evidenciar que a democracia não garante o acesso universal à cultura literária, este trabalho reconhece que o projeto vigente de neoliberalização das instituições educacionais se consolida em luta contra uma tradição humanista defensora de um ensino de literatura voltado para a formação plena do cidadão crítico e democrático. Com efeito, uma leitura das encruzilhadas ideológicas pressupostas pela noção de democracia é realizada. Ao analisar a democracia enquanto conceito político que possibilita pensar a literatura como fonte de conhecimento para a sociedade, e ao colocar sob debate as redes discursivas que ela viabiliza, como as do humanismo, do neoliberalismo e da episteme pós-colonial, este texto expõe as disputas ideológicas travadas pela definição do seu sentido, cuja indeterminação é aqui objeto de reflexão e combustível para uma tomada de posição em favor de um ensino de literatura no Brasil que inclua narrativas que descrevem a realidade dos problemas sociais dissimulada pela elite brasileira, como as narrativas de Carolina Maria de Jesus.
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