Emoções emergentes na violência e indutoras de violência: um estudo de caso acerca das subjetividades na fala das(os) adolescentes da Educação Básica
DOI:
https://doi.org/10.12957/soletras.2026.96386Abstract
Com base nas contribuições de Foucault, em diálogo com outros aportes teóricos, este artigo analisa a violência epistêmica (Zembylas, 2024) como acontecimento discursivo, compreendido enquanto prática produtora de efeitos de sentido, cuja força mobiliza representações de poder e de cuidado de si, enunciadas de modo explícito e implícito nas falas de adolescentes do 9º ano do Ensino Fundamental em uma instituição de ensino. Nessa perspectiva, o estudo articula a violência epistêmica às emoções e aos modos de subjetivação (Foucault, 2016). No âmbito do quadro teórico-metodológico (Clarke & Braun, 2013; Denzin & Lincoln, 2006), a conversa orientada semiestruturada constitui o objeto de análise, tomada como categoria reflexiva e entendida como “fatos de discurso que merecem ser analisados ao lado dos outros, com os quais mantêm relações complexas” (Foucault, 1995). Tal abordagem não concebe a entrevista como unidade estável no escopo da categorização dos gêneros do discurso, nem como unidade homogênea, mas como um dispositivo das práticas discursivas e dos percursos de sentido que sustentam regimes de verdade sobre emoção e violência no espaço escolar. Os resultados lançam luz sobre os modos pelos quais a escola, ao operar por meio da subalternização e do silenciamento dos sujeitos, exerce um poder que nega e invisibiliza práticas emocionais, impactando diretamente as interações humanas.
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