Subjetividades em trânsito
interações de imigrantes com o português como língua de acolhimento sob a ótica da formação docente e da psicanálise
DOI:
https://doi.org/10.12957/soletras.2026.95710Abstract
O artigo discute o ensino de português brasileiro como língua de acolhimento em contextos migratórios, a partir da interlocução entre a psicanálise, a educação linguística crítica e perspectivas decoloniais de formação docente. O objetivo é refletir sobre os efeitos subjetivos da aprendizagem do português como língua de acolhimento por sujeitos em situação de migração, bem como sobre as implicações desses efeitos para a formação de professores de línguas em contextos migratórios. O referencial teórico articula contribuições da psicanálise (Freud, Lacan, Melman, Gebrim), dos estudos da linguagem e da educação crítica e decolonial (Freire, Walsh, Moita Lopes). Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de base interpretativa, fundamentada em relatos de experiências vividas em turmas de nivelamento de português brasileiro ofertadas a imigrantes haitianos e venezuelanos no âmbito de um programa de extensão universitária. A análise de episódios de recusa e esquecimento linguístico evidencia que a aprendizagem da língua de acolhimento envolve conflitos simbólicos relacionados à filiação, ao desejo e ao pertencimento. Conclui-se que a formação docente precisa deslocar-se de modelos técnicos e assimilacionistas para assumir uma ética do cuidado, da escuta e do acolhimento da heterogeneidade, reconhecendo o professor como agente de transformação social em contextos de migração.
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