Sobre a palavra-amor e a interseccionalidade

Autori

DOI:

https://doi.org/10.12957/soletras.2025.87624

Parole chiave:

Conceição Evaristo, amor, Interseccionalidade, conto, bell hooks

Abstract

O artigo examina a abordagem metodológica da interseccionalidade (AKOTIRENE, 2022; HILL COLLINS; BILGE, 2021; HILL COLLINS, 2022) na análise de obras literárias amefricanas de autoria feminina, destacando uma crítica à fixação das personagens e autorias negras em narrativas de violência e resistência. O problema central abordado é a tendência de considerar as mulheres negras exclusivamente como sujeitas reativas, cujas identidades e histórias são definidas pela interseção de opressões, o que resulta em um processo de violência epistêmica. O objetivo do texto é propor uma mudança metodológica que valorize as múltiplas formas de agência dessas sujeitas, indo além do trinômio dor-resistência-denúncia, frequentemente utilizado nas análises de nossa comunidade científica. O artigo advoga que essa perspectiva limitada desumaniza e invisibiliza as diversas formas de estar-no-mundo dessas personagens e autorias, relegando-as a um espaço de revitimização. Como resultado, o estudo sugere uma abordagem que contemple a complexidade da experiência negra, reconhecendo suas estratégias de bem-viver, criação de redes afetivas e agência criativa, contribuindo para uma compreensão mais ampla e profunda das narrativas amefricanas que transcenda a violência. Tal tal procedemos ao exame da contística de Conceição Evaristo (2016a; 2016b; 2016c; 2016d; 2018; 2023),  utilizando o amor (HOOKS, 2010) como categoria analítica.

 

Biografie autore

Lucas Anderson Neves de Melo, UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ

Doutorando em Letras pelo Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Mestre em Letras, com concentração nos Estudos Literários, pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Especialista em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, pela Faculdade Famart. Graduado em Letras Português-Francês e suas respectivas Literaturas pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Membro do Núcleo de Pesquisa em Africanidades e Afrodescendência (ÌFARADÁ) e membro do Grupo de Pesquisa e Extensão Teseu, o Labirinto e seu Nome. É colunista no Jornal 140, onde trabalha com comunicação de ciência e produção de crônicas autorais. Tem experiência na áreas de Linguística Africana e de Literaturas Amefricanas (com foco no teatro de Aimé Césaire), nas quais investiga problemas atinentes à relação língua[gem]/racialização e lugar/conhecimento.

Alcione Correa Alves, UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ

Alcione Correa Alves (graduação em Letras, obtido em 2005; Mestrado em Letras, obtido em 2008; e Doutorado em Letras, obtido em 2012; todos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul) está professor associado II na Universidade Federal do Piauí, onde tem desenvolvido atividades docentes de ensino, extensão e pesquisa, em níveis de graduação e pós-graduação. Tem coordenado, desde 2010, o Projeto de Pesquisa e Extensão Teseu, o labirinto e seu nome, dedicado ao tema das construções identitárias nas literaturas amefricanas. Atualmente, o objetivo central de investigação (seu e do Projeto Teseu) consiste em perceber este corpus de pensamento amefricano em uma dupla dimensão, de ficção e ensaio, de modo a compreender sua contribuição à formulação de novos problemas (metodológicos e epistemológicos), atinentes a uma Teoria Literária contemporânea em Nuestramérica (Améfrica Ladina).

Pubblicato

2025-08-31