Luz e sombra, verme e estrela: os contrastes estéticos e sociais na poética de Pedro Kilkerry

Autores/as

  • Priscila Bosso Topdjian Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita Filho (UNESP) https://orcid.org/0009-0003-5791-6589
  • Antonio Manoel dos Santos Silva Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP)

DOI:

https://doi.org/10.12957/soletras.2025.92053

Palabras clave:

Jogo imagético, Pedro Kilkerry, Simbolismo brasileiro, Tensões sociais, Versos octossílabos

Resumen

Este artigo realiza uma análise crítico-interpretativa do poema “O Verme e a Estrela”, de Pedro Kilkerry, poeta reconhecido tardiamente como um dos mais originais do Simbolismo brasileiro, especialmente após a publicação de ReVisão de Kilkerry, de Augusto de Campos (1985). O estudo examina o uso de versos octossílabos, comuns nos cancioneiros hispânicos e franceses, o que confere musicalidade ao poema, conforme tratado de Rogério Chociay (1974). As rimas alternadas reforçam o contraste visual e sonoro entre duas metáforas centrais: o verme, representando o eu lírico rebaixado e marginalizado, e a estrela, figura idealizada e distante. A linguagem coloquial e irônica utilizada pelo eu lírico confere ao poema uma chave interpretativa particular. A análise reflete ainda sobre o corpo-poético do verme como símbolo de resistência e espaço marcado pela exclusão social e racial. Assim, o verme torna-se metáfora da crítica ao discurso do não pertencimento, denunciando as violências estruturantes da identidade nacional moderna. O jogo imagético entre verme e estrela intensifica a musicalidade e a síntese poética do texto, como propõe Viktor Chklovski (1976). Por fim, com base em Silviano Santiago (2000), o artigo discute como o amor no poema é atravessado por tensões de classe, raça, gênero e identidade.

 

Biografía del autor/a

Priscila Bosso Topdjian, Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita Filho (UNESP)

Possui formação em Letras (habilitação em Inglês) e Jornalismo, além de Mestrado em Letras, com bolsa Capes, concluído em 2021 pela UNESP, campus de São José do Rio Preto/SP. Atualmente, realiza doutorado na mesma instituição, com bolsa CAPES, na área de Teoria e Estudos Literários (PTEL). Desde 2019, é professora titular de Redação, Literatura Brasileira e Filosofia no Centro Universitário de Rio Preto (UNIRP). Em 2023 e 2024, lecionou como professora substituta as disciplinas de Poesia Brasileira I e II na UNESP (Ibilce), no Departamento de Estudos Linguísticos e Literários (DELL). 

Antonio Manoel dos Santos Silva, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP)

Possui graduação em Letras pela Universidade Federal do Paraná (1965) e doutorado em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1972). É livre-docente e professor emérito da UNESP.

     

Publicado

2025-08-31

Número

Sección

Dossiê 52 (maio-ago. 2025): Decadentes, Dissidentes e Proscritos no Fin-de-Siècle