O deslocamento do dissidente em A palavra que resta, de Stênio Gardel
DOI:
https://doi.org/10.12957/soletras.2025.92559Resumo
Neste trabalho, empreendemos reflexões sobre o deslocamento do protagonista Raimundo, do romance A palavra que resta, de Stênio Gardel (2021). A discussão aqui proposta permite problematizar a (des)construção das identidades a partir do trânsito do protagonista desse romance, investigando mais detidamente as sucessivas andanças que compõem sua trajetória de vida, pois há a partida do espaço de origem (sertão) para um espaço outro (metrópole) e, em algum momento, o protagonista retorna. A escolha partiu da percepção de que a narrativa articula a experiência do deslocamento à atuação dos papéis de gênero como norteadores identitários, deslocamento esse que implica uma mudança não apenas da geografia de trânsito, mas também da paisagem subjetiva. Diante disso, propomos pensar o corpo em travessia como um corpo que apresenta marcas dissidentes e discursos dissonantes dos formulados acerca de um corpo ideal, visto que os corpos deslocados pertencem a narrativas que foram, por vezes, deixadas às margens da crítica literária. Nesse sentido, a estratégia do romance em questão é evidenciar experiências sexuais dissidentes e desejos em deslocamentos, dando voz a subjetividades marginalizadas. Fundamenta-se a discussão nas proposições de Doreen Massey (2015), Louro (2020), Preciado (2017/2020), dentre outros.
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