As águas não são neutras

Terreiros do Rio Grande do Sul em contexto de crise climática e o racismo ambiental

Autores

Palavras-chave:

Povo de Terreiro, Crise Climática, Racismo Ambiental, Justiça Climática

Resumo

https://doi.org/10.1590/2179-8966/2026/97299

O artigo analisa os impactos das enchentes de maio de 2024 sobre o Povo de Terreiro do Rio Grande do Sul a partir do relatório “Mapeamento Emergencial dos Terreiros Atingidos”. Os dados obtidos, emergencialmente, revelam que 94,1% das estruturas físicas sofreram danos, sendo mais da metade totalmente destruídas, além de expressivas demandas por reconstrução e suprimentos básicos como condição de reparação. A pesquisa interpreta esses resultados à luz da categoria de racismo ambiental, entendendo o evento climático extremo como fenômeno que incide sobre desigualdades sociais e territoriais racialmente estruturadas. Os Terreiros constituem territórios tradicionais marcados por diferentes práticas culturais e religiosas protegidas constitucionalmente, exercendo também relevante função social comunitária. A destruição desses espaços implica violação à liberdade religiosa e aos direitos sociais e culturais. O estudo sustenta que a vulnerabiliziação identificada não é contingencial, mas resultado de processos históricos de exclusão social e segregação espacial. Os eventos climáticos extremos não são socialmente neutros. Reproduzem e aprofundam hierarquias raciais preexistentes que marcam profundamente a história do Povo de Terreiro atingido, ao interromper práticas religiosas, desestruturar redes de cuidado e expor a permanência de desigualdades raciais territorializadas.

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Biografia do Autor

Cláudia Luisa Zeferino Pires, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS).

Cláudia Luisa Zeferino Pires, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: claudia.luisapires@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5457-7401.

Tanara Forte Furtado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Tanara Forte Furtado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: tanara.forte.furtado@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9356-0928.

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Publicado

2026-04-30

Como Citar

Luisa Zeferino Pires, C., & Forte Furtado, T. (2026). As águas não são neutras: Terreiros do Rio Grande do Sul em contexto de crise climática e o racismo ambiental. Revista Direito E Práxis, 17(2). Recuperado de https://www.e-publicacoes.uerj.br/revistaceaju/article/view/97299

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