FORMAÇÃO CONTINUADA NA DOCÊNCIA INDÍGENA E TECNOLOGIAS DIGITAIS
UMA EXPERIÊNCIA DE PESQUISA-FORMAÇÃO COM O POVO PUYANAWA
DOI:
https://doi.org/10.12957/redoc.2026.96903Palavras-chave:
Docência indígena, Cibercultura, Formação continuada de professores, Tecnologias digitais, Pesquisa-formaçãoResumo
Este artigo tem como objetivo apresentar e analisar o protocolo de pesquisa de campo de uma investigação em andamento, desenvolvida no âmbito do Doutoramento em Ciências da Educação, na área de especialização em Tecnologia Educativa. A pesquisa analisa as possibilidades e os desafios da integração das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) na Educação Escolar Indígena, tomando como eixo central os processos de formação continuada de professores indígenas, em diálogo com os contextos culturais e territoriais das comunidades. O estudo adota uma abordagem qualitativa, de natureza interpretativa, fundamentada na perspectiva da pesquisa-formação e na estratégia do estudo de caso. O trabalho de campo foi realizado na Escola Indígena Ixubã Rabui Puyanawa, localizada em território indígena no estado do Acre, no período pós-pandêmico. Os procedimentos de recolha de dados incluíram a aplicação de questionários, a realização de entrevistas com docentes e a observação no contexto escolar, possibilitando a triangulação das informações e a compreensão situada das práticas educativas. A análise dos dados evidenciou práticas, sentidos e tensões relacionadas ao uso das tecnologias digitais na docência indígena. Destaca-se a emergência da categoria analítica autoria digital e fortalecimento cultural na docência indígena, que revela a apropriação das TIC como estratégia de fortalecimento cultural e de protagonismo Puyanawa no ambiente digital. Conclui-se que a integração das TIC ocorre de forma situada, específica e contextualizada, reforçando a necessidade de processos de formação continuada presenciais, dialógicos e culturalmente sensíveis às realidades das comunidades indígenas.
Referências
ANDRADE, Francisca Marli Rodrigues de; NOGUEIRA, Letícia Pereira Mendes; NEVES, Lucas do Couto. Formação de educadores do campo nas IFES brasileiras: desafios do ensino remoto em tempos de pandemia de COVID-19. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas, v. 30, n. 9, 2022. DOI: https://doi.org/10.14507/epaa.30.6616
BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2013.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez. 1996. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394compilado.htm. Acesso em: 26 mar. 2024.
BRASIL. Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008. Institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 30 dez. 2008. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11892.htm. Acesso em: 26 mar. 2024.
BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Aprova diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Brasília, DF: CNS, 2012. Disponível em: https://conselho.saude.gov.br/resolucoes/2012/Reso466.pdf. Acesso em: 12 fev. 2026.
BRASIL. Ministério da Educação. Resolução nº 5, de 22 de junho de 2012. Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Indígena na Educação Básica. Brasília, DF: MEC, 2012. Disponível em: http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/pdf/resolucaoeduc_campo.pdf. Acesso em: 12 fev. 2026.
BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 510, de 7 de abril de 2016. Dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais. Brasília, DF: CNS, 2016. Disponível em: https://conselho.saude.gov.br/resolucoes/2016/Reso510.pdf. Acesso em: 12 fev. 2026.
BRASIL. Lei nº 14.533, de 11 de janeiro de 2023. Institui a Política Nacional de Educação Digital. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 12 jan. 2023. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/l14533.htm. Acesso em: 26 mar. 2024.
BRAUN, Virginia; CLARKE, Victoria. Using thematic analysis in psychology. Qualitative Research in Psychology, v. 3, n. 2, p. 77–101, 2006.
CAVALCANTE, Lucíola Inês Pessoa. Formação de professores na perspectiva do Movimento dos Professores Indígenas da Amazônia. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 22, p. 14–24, 2003. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1413-24782003000100003. Acesso em: 26 mar. 2024.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
FREIRE, Paulo; GUIMARÃES, Sérgio. Educar com a mídia: novos diálogos sobre educação. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2013.
HILL, Manuela; HILL, Andrew. Investigação por questionário. Lisboa: Edições Sílabo, 2009.
GAVAZZI, Renato Antonio (Org.). Plano de Gestão Territorial e Ambiental da Terra Indígena Poyanawa. Rio Branco: Comissão Pró-Índio do Acre; AMAAIAC; AAPBI, 2015. Disponível em: https://cpiacre.org.br/wp-content/uploads/2020/03/PGTA-Poyanawa.pdf. Acesso em: 08 fev. 2026.
NOGUEIRA, José Francisco Sarmento. Relações multi/interculturais e identitárias a partir do uso de tecnologias digitais. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Católica Dom Bosco, Campo Grande, 2015. Disponível em: https://site.ucdb.br/public/md-dissertacoes/15737-jose-francisco-sarmento.pdf. Acesso em: 26 mar. 2024.
MOURA, Sonaira de Araújo; SILVA, Bento Duarte da. Formação continuada de professores para a integração de tecnologias da informação e comunicação no contexto da educação escolar indígena. In: Atas do do XVII Congreso Internacional Galego-Portugués de Psicopedagoxía. A Coruña: Universidade da Coruña, 2023. p. 2039–2040. Disponível em: http://hdl.handle.net/2183/34553. Acesso em: 26 mar. 2024.
OLIVEIRA, Edilani Ribeiro de. O ensino mediado por tecnologia em comunidade indígena Ticuna: desafios linguísticos no processo ensino-aprendizagem. Dissertação (Mestrado em Letras) – Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2019. Disponível em: https://tede.ufam.edu.br/handle/tede/7456. Acesso em: 26 mar. 2024.
QUEIROZ, Silvia Fernanda de Jesus; BACKES, José Lícinio. A apropriação das tecnologias de informação e comunicação por indígenas Terena: instrumento de luta e resistência. Inter-Ação, Goiânia, v. 49, n. 1, p. 433–449, 2024. Disponível em: https://revistas.ufg.br/interacao/article/view/76563. Acesso em: 26 mar. 2024.
SANTOS, Edméa. Pesquisa-Formação na cibercultura. Teresina: EDUFPI, 2019. E-book. Disponível em: http://www.edmeasantos.pro.br/assets/livros/Livro%20PESQUISA-FORMA%C3%87%C3%83O%20NA%20CIBERCULTURA_E-BOOK.pdf. Acesso em: 12 maio. 2021.
SILVA, Vanderléia Barbosa da. As tecnologias digitais na formação de professores indígenas do curso de Licenciatura em Educação Básica Intercultural da Fundação Universidade Federal de Rondônia. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal de Rondônia, Porto Velho, 2016. Disponível em: http://www.ri.unir.br/jspui/handle/123456789/1636. Acesso em: 24 out. 2025.
VARELA, Cândida Dolores Antunes. A robótica educacional na escola indígena: inovações na formação de professores. Dissertação (Mestrado Profissional em Educação e Novas Tecnologias) – Centro Universitário Internacional, Curitiba, 2017. Orientador: Germano Bruno Afonso.
YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2015.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Revista Docência e Cibercultura

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Attribution License que permitindo o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria do trabalho e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).






