TECENDO PRÁTICAS COTIDIANAS NAS ESFERAS DO AUTORITARISMO

Inês Barbosa de Oliveira

Resumo


A multiplicidade de práticas pedagógicas desenvolvidas nos diversos espaços/tempos cotidianos nos quais se inserem professores e alunos se por um lado impossibilita o aprisionamento dessas práticas em modelos associados às épocas nas quais elas se desenvolveram e desenvolvem, por outro lado não as desvincula da história política e social mais ampla na qual se inserem.
Considerando a década de 1970 no Brasil e mais precisamente o autoritarismo que presidiu as reformas na legislação educacional brasileira de 1968 e 1971 e o reinício dos debates políticos e educativos no final da década, esse trabalho se baseia na história de vida de uma professora cuja formação e início de carreira docente se deram na década de 1970, sobretudo naquilo que essa história traz a respeito das práticas pedagógicas por ela vivenciadas, tanto como aluna quanto como professora e busca situar a experiência singular narrada pela entrevistada nos contextos históricos em que foi gestada.
O objetivo é o de situar as experiências escolares e não escolares vividas por Elisa, considerando o papel relevante que cada uma desempenhou na construção e no desenvolvimento de sua prática pedagógica, seja no sentido da incorporação de valores e saberes aprendidos, seja na criação cotidiana de alternativas às práticas e discursos dominantes que ela critica e quer ver modificados.
Por intermédio do estudo da entrevista, podemos perceber o quanto influenciaram em sua formação e atuação pedagógica as “esferas de formação” da prática pedagógica cotidiana, da prática política coletiva, da ação política do Estado e das pesquisas em educação, constituindo uma rede de conhecimentos dinâmica na qual se articulam permanentemente todas essas esferas de formação. Para além do pensamento oficial da época, se evidencia neste trabalho o quanto a formação de Elisa esteve vinculada a saberes produzidos no cotidiano. Podemos assim superar a idéia de que só o saber acadêmico é formador e portador de uma compreensão aceitável de mundo, o que pressupõe a percepção das diversas influências intervenientes na formação dos sujeitos, suas relações e articulações na formação da “rede de subjetividades” que cada um de nós é, num processo de entrelaçamento permanente que forma a unidade da complexidade, “que não destrói a variedade e a diversidade das complexidades que a teceram.”
Nesse sentido, podemos avaliar os limites que o autoritarismo e o psicologismo presentes nas propostas governamentais para a escolarização na década de 1970 enfrentaram na sua incorporação ao cotidiano escolar da época, na medida em que “usos” não autorizados e “táticas” de enfrentamento dos problemas a elas inerentes ou delas decorrentes estiveram presentes nas escolas.

Palavras-chave


práticas cotidianas; memória; autoritarismo

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ISSN 1518-5370 [impresso] • 1982-0305 [eletrônico]
Teias, uma publicação eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Educação – ProPEd/UERJ
Qualis/Capes - A2 (2017/2018) 
DOI: 10.12957/teias

 

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