Luz e sombra, verme e estrela: os contrastes estéticos e sociais na poética de Pedro Kilkerry
DOI:
https://doi.org/10.12957/soletras.2025.92053Palavras-chave:
Jogo imagético, Pedro Kilkerry, Simbolismo brasileiro, Tensões sociais, Versos octossílabosResumo
Este artigo realiza uma análise crítico-interpretativa do poema “O Verme e a Estrela”, de Pedro Kilkerry, poeta reconhecido tardiamente como um dos mais originais do Simbolismo brasileiro, especialmente após a publicação de ReVisão de Kilkerry, de Augusto de Campos (1985). O estudo examina o uso de versos octossílabos, comuns nos cancioneiros hispânicos e franceses, o que confere musicalidade ao poema, conforme tratado de Rogério Chociay (1974). As rimas alternadas reforçam o contraste visual e sonoro entre duas metáforas centrais: o verme, representando o eu lírico rebaixado e marginalizado, e a estrela, figura idealizada e distante. A linguagem coloquial e irônica utilizada pelo eu lírico confere ao poema uma chave interpretativa particular. A análise reflete ainda sobre o corpo-poético do verme como símbolo de resistência e espaço marcado pela exclusão social e racial. Assim, o verme torna-se metáfora da crítica ao discurso do não pertencimento, denunciando as violências estruturantes da identidade nacional moderna. O jogo imagético entre verme e estrela intensifica a musicalidade e a síntese poética do texto, como propõe Viktor Chklovski (1976). Por fim, com base em Silviano Santiago (2000), o artigo discute como o amor no poema é atravessado por tensões de classe, raça, gênero e identidade.
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