Os/as ilheiros/as do Médio Rio Doce

vida, resistências e reconhecimento em meio ao desastre-crime da Samarco

Autores

Palavras-chave:

Ilheiros, povos e comunidades tradicionais., Rio Doce

Resumo

https://doi.org/10.1590/2179-8966/2026/98422

O artigo analisa o processo de luta por direitos dos/as ilheiros/as do Médio Rio Doce, atingidos, em 2015, pelo rompimento da barragem de rejeitos de Fundão - de propriedade das mineradoras Samarco/Vale/BHP. O objetivo principal é descrever seus modos de vida e territorialidade específica, compreendendo como se mobilizam, coletivamente, pelo reconhecimento como Povos e Comunidades Tradicionais e por direitos de reparação próprios em meio ao desastre-crime. Para tanto, frequentamos as ilhas do rio Doce e as reuniões de mobilização, numa incursão etnográfica, feita entre maio de 2023 e fevereiro de 2025. Além da observação participante e dos registros em caderno de campo, realizamos entrevistas semiestruturadas com os ilheiros/as. Os resultados revelam que, até o momento, a reparação pecuniária oferecida foi insuficiente para dar conta dos prejuízos por eles/as enunciados. Pois desconsiderou aspectos centrais do cotidiano ribeirinho: as relações e os sentidos construídos junto ao rio e às ilhas, e os efeitos da presença violenta do rejeito de minério por todo o território ribeirinho. Em resposta, os ilheiros e ilheiras mobilizaram-se por direitos. Insistem no cuidado, no trabalho e nos laços de reciprocidade que sustentam suas formas de vida para, a partir destes sentidos, politizar a reparação do rio Doce e defender seu território.

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Biografia do Autor

Luciana Tasse Ferreira, Universidade Federal de Juiz de Fora campus Governador Valadares

Doutora em Ciências Jurídicas e Sociais (UFF). Professora no Departamento de Direito da Universidade Federal de Juiz de Fora campus Governador Valadares, Governador Valadares, Minas Gerais, Brasil.

Bruno Franco Alves, Universidade Federal de Juiz de Fora campus Governador Valadares

Doutor em Sociologia: Cidades e Culturas Urbanas pela Universidade de Coimbra (2022) com o título reconhecido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professor Adjunto na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) campus Governador Valadares. 

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Publicado

2026-08-21

Como Citar

Tasse Ferreira, L., & Franco Alves, B. (2026). Os/as ilheiros/as do Médio Rio Doce: vida, resistências e reconhecimento em meio ao desastre-crime da Samarco. Revista Direito E Práxis, 17(3). Recuperado de https://www.e-publicacoes.uerj.br/revistaceaju/article/view/98422

Edição

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