“De que adianta escrever certo se a gente nem sabe se chegou ao destino?”

cartas, afeto e política na vida de mulheres trans e travestis encarceradas em Florianópolis/SC.

Autores

Palavras-chave:

Mulheres trans e travestis, Cartas, Prisão

Resumo

https://doi.org/10.1590/2179-8966/2026/93679

A partir de uma pesquisa etnográfica realizada com mulheres trans e travestis que cumpriam pena na Penitenciária Masculina de Florianópolis, em Santa Catarina, este trabalho tem por objetivo refletir sobre como registros, em especial cartas e documentos, se articulam nas rotinas dessas pessoas cuja circulações estão vinculadas à instituição prisional. Neste sentido, pretendemos refletir as diferentes representações expressas nesses registros escritos produzidos pelas interlocutoras desta pesquisa. Durante o trabalho de campo realizado por uma das autoras, foi possível observar o papel fundamental que cartas exerciam no cotidiano vivenciado pelas interlocutoras e analisar seus conteúdos que expressam vínculos de afeto e demandas materiais relativas a seus processos judiciais, que conectam desde a prisão produzindo redes de contato entre interlocutores, familiares e pesquisadores. Ao mesmo tempo, as cartas não escapam do controle promovido pelo Estado, através da leitura feita pelos agentes policiais penais daquilo que foi escrito, sob a justificativa de que tais registros poderiam conter informações que colocassem sob risco o domínio estatal sobre a circulação dessas pessoas presas. Por fim, o trabalho busca apresentar as especificidades produzidas pelo Estado de Santa Catarina no âmbito da Segurança Pública e do investimento prisional, o qual não alcança mulheres travestis e transexuais. Dessa forma, neste artigo iremos refletir acerca da relação entre escrita e circulação de cartas produzidas por mulheres trans e travestis presas, considerando os controles a quais estão submetidas e os modos de comunicação por elas acionados.  

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Biografia do Autor

Kellyn Gaiki Menegat, Universidade Federal de Santa Catarina

Kellyn Gaiki Menegat é Doutoranda em Antropologia Social (PPGAS/UFSC).

Flavia, Universidade Federal de Santa Catarina

Flavia Medeiros Santos é Professora de Antropologia (UFSC).

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Publicado

2026-03-11

Como Citar

Gaiki Menegat, K., & Medeiros Santos, F. (2026). “De que adianta escrever certo se a gente nem sabe se chegou ao destino?”: cartas, afeto e política na vida de mulheres trans e travestis encarceradas em Florianópolis/SC. Revista Direito E Práxis, 17(1). Recuperado de https://www.e-publicacoes.uerj.br/revistaceaju/article/view/93679

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