RUN, BOURDIEU, RUN!
Análise de “Forrest Gump” no curso de pedagogia
DOI:
https://doi.org/10.12957/rpuerj.2026.91809Palavras-chave:
Desigualdades , Inclusão , Violência simbólicaResumo
Este texto, estruturado em forma de atos, realiza uma análise crítica do filme Forrest Gump (1994), dialogando com os conceitos de Pierre Bourdieu, em especial a violência simbólica e a reprodução das desigualdades sociais. A obra cinematográfica, que acompanha a vida de um homem simples em meio a eventos históricos marcantes, serve como objeto de reflexão sobre como a mídia pode reforçar ou questionar estruturas de dominação. Utilizando como base teórica A Reprodução (1970), de Bourdieu e Passeron, o estudo examina de que maneira o filme retrata a inclusão e a exclusão social, destacando como a violência simbólica se manifesta nas relações cotidianas. A trajetória de Forrest, frequentemente marginalizado por sua deficiência intelectual, revela os mecanismos sutis pelos quais a sociedade naturaliza hierarquias e legitimiza desigualdades. Apesar de abordar temas como superação e justiça social, o filme também permite questionar até que ponto a narrativa mitiga ou reproduz estereótipos. A análise conclui que o cinema, como ferramenta pedagógica, pode fomentar debates sobre educação e inclusão, mas exige uma leitura crítica para desvelar as estruturas de poder que permanecem invisíveis no discurso midiático.
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