Livros didáticos de português: como enfocam concordância e sujeito posposto?

Monique Alves Vitorino, Cláudia Roberta Tavares Silva

Resumo


A tradição gramatical atesta que o constituinte com o qual o verbo desencadeia concordância é o sujeito da oração. Contudo, observa-se que, em sentenças que apresentam aordem V(erbo) S(ujeito) no português brasileiro (PB), há forte tendência à ausência de concordância verbal em contextos inacusativos. Levando-se em consideração a arraigada ligação do livro didático (LD) com a tradição normativa gramatical e a tendência à maior proximidade vista em exames vestibulares e Enem com os atuais estudos sobre o PB, este trabalho objetiva investigar como o LD de ensino médio trata a questão da concordância relacionada ao sujeito posposto. Para tanto, selecionamos duas coleções de LDs de português, amplamente adotadas pelas escolas públicas, para a realização de uma análise qualitativa.Fundamentamos o estudo em Silva (2004), Pontes (1986), Bagno (2011), Berlinck (1988) eoutros. Os resultados apontam para a conformidade do LD com o que ensina a gramáticanormativa tradicional, isto é, não está prevista a ausência de concordância verbal com sujeitoposposto, tão produtiva no PB, o que nos revela a dissonância entre o que se espera do alunoegresso do EM e o que o livro didático seleciona como matéria de sala de aula, bem comocom o tipo de abordagem teórica sugerida.


Palavras-chave


Sujeito posposto. Concordância verbal. Livro didático. Gramática normativa. Verbos inacusativos.

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DOI: https://doi.org/10.12957/soletras.2013.7915

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SOLETRAS online - ISSN 2316 8838

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