CHAMADA: DOSSIÊ 27 - ENTRELAÇAMENTOS CRÍTICOS NA EDUCAÇÃO LINGUÍSTICA / CALL FOR PAPERS: CRITICAL ENTANGLEMENTS IN LANGUAGE EDUCATION

                   CHAMADA PARA ARTIGOS

 DOSSIÊ TEMÁTICO: ENTRELAÇAMENTOS CRÍTICOS NA EDUCAÇÃO LINGUÍSTICA

Organizadoras:

Miriam Jorge - University of Missouri, Saint Louis/ MO

Nara Hiroko Takaki - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande/MS

Rosane Rocha Pessoa  - Universidade Federal de Goiás,  Goiânia/GO

Souzana Mizan  -  Universidade federal de São Paulo, São Paulo/ SP 

Prazo para submissão: 06/03/2023


Na pós-modernidade, o ensino de línguas tenta se distanciar das epistemologias positivistas e estruturalistas, que consideram que a aprendizagem de línguas é constituída por um processo linear e progressivo, cuja metodologia pode ser universalizada e aplicada de forma homogênea em qualquer contexto social e de aprendizagem. Assim sendo, o contexto onde o ensino acontece não é visto mais como pano de fundo, mas se configura como zona de contato (PRATT, 1992), onde línguas e culturas se encontram em meio às relações desiguais de poder. Dessa maneira, a alteridade, a diferença e a diversidade, que estão presentes em qualquer contexto de interação e configuram o espaço de aprendizagem de línguas como um lugar multicultural (KUBOTA, 2004) que tem o potencial do desenvolvimento de uma consciência intercultural crítica (WALSH, 2010). 

Destarte,  uma pedagogia que traz reflexões sobre as opressões que sujeitos sofrem na sociedade capitalista, patriarcal, heteronormativa, racista, sexista e capacitista, pode transformada por meio da ecologia de saberes (SOUSA SANTOS, 2011), como praxeologia freireana, que trabalha em direção à decolonização de nossos saberes e à construção de uma educação “pós-colonial onde as hierarquias entre saberes são desconstruídas e no lugar delas uma justiça cognitiva” (SOUSA SANTOS, 2011, p. 66-67) e ambiental é estabelecida. 

Para nós, a "educação linguística" se caracteriza por relações mais horizontalizadas e democráticas no processo sociolinguístico de construção de sentidos sobre nós mesmos e sobre o mundo, ampliando a concepção de ensino-aprendizagem de línguas e englobando a formação de professoras/es de línguas. A educação linguística precisa ser com e sobre sujeitos, entornos, territórios e culturas. 

Por contextos diversos, as editoras compreendem espaços formais e informais de ensino e aprendizagem de línguas, onde diferentes conceptualizações de ensino de língua (estrangeira, adicional, nova, segunda, materna, outra, etc.)  são subjacentes à práxis de educação linguística intencionalmente transformadora. Consideramos contextos que refletem a mobilidade de populações pelo mundo e as transformações que ocorrem a partir da formação de novas identidades linguísticas e transnacionais, assim como contextos de práticas linguísticas marginalizadas/invisibilizadas e práticas de resistência. 

Os artigos precisam problematizar questões do ensino de língua propriamente dito, assim como outras questões relacionadas, tais como políticas linguísticas, produção de materiais de ensino e a formação de professores, dentre outras. Além disso, interessam-nos métodos de pesquisa diversos, especialmente aqueles menos explorados no campo dos estudos linguísticos.  

 Referências

KUBOTA, R. Critical Multiculturalism and Second Language Education. In B. Norton, & K. Toohey (Eds.), Critical Pedagogies and Language Learning. Cambridge: Cambridge University Press. 2004.

 PRATT, Mary Louise. Imperial Eyes: Travel Writing and Transculturation. New York: Routledge, 1992.

 SOUSA SANTOS, B. A Universidade do Século XXI: para uma reforma democrática e emancipatória da universidade. São Paulo: Cortez, 2011.

 WALSH, Catherine. Interculturalidad crítica y educación intercultural. In: Viaña, J., Tapia, L., Walsh, C., Mora, D., De Alarcón, S., Ploskonka, S., & Paz-Bolivia, L. Construyendo interculturalidad crítica. Instituto Internacional de Integración, Convenio Andres Bello, 2010.

 

CALL FOR PAPERS

 Special issue: CRITICAL ENTANGLEMENTS IN LANGUAGE EDUCATION

Editors: Miriam Jorge (University of Missouri, Saint Louis), Nara Hiroko Takaki (UFMS), Rosane Rocha Pessoa (UFG), Souzana Mizan (UNIFESP) 

 

In postmodernity, language teaching tries to distance itself from positivist and structuralist epistemologies, which consider that language learning is constituted by a linear and progressive process, whose methodology can be universalized and applied homogeneously in any social and learning context. Therefore, the context where teaching takes place is no longer seen as a background, but is configured as a contact zone (PRATT, 1992), where languages and cultures meet in the midst of unequal power relations. This way, otherness, difference and diversity, which are present in any context of interaction, configure the language learning space as a multicultural place (KUBOTA, 2004) that has the potential to develop critical intercultural awareness (WALSH, 2010).

Thus, a pedagogy that brings reflections on the oppressions that subjects suffer in capitalist, patriarchal, heteronormative, racist, sexist and ableist society, can be transformed through an ecology of knowledges (SOUSA SANTOS, 2011), as a Freirean praxeology, which works towards the decolonization of our knowledges and the construction of a “post-colonial education, in which hierarchies between knowledges are deconstructed and in their place a cognitive” (SOUSA SANTOS, 2011, p. 66-67) and environmental justice is established.

For us, "linguistic education" is characterized by more horizontal and democratic relationships in the sociolinguistic process of meaning-making in relation to ourselves and the world, expanding the concept of language teaching and learning, while encompassing language teacher education. Language education needs to be with and about subjects, contexts, territories and cultures.

The editors understand diverse contexts as formal and informal spaces of language teaching and learning, where different conceptualizations of language teaching (foreign, additional, new, second, mother, other, etc.) underlie the praxis of intentionally transformative language education. We consider contexts that reflect the mobility of populations around the world and the transformations that occur from the constitution of new linguistic and transnational identities, as well as contexts of marginalized/invisible linguistic practices and practices of resistance.

The articles need to problematize issues of language teaching itself, as well as other related issues, such as language policies, production of teaching materials and teacher education, among others. Furthermore, we are interested in different research methods, especially those less explored in the field of linguistic studies.

 References

 

KUBOTA, R. (2004). Critical Multiculturalism and Second Language Education. In B. Norton, & K. Toohey (Eds.) Critical Pedagogies and Language Learning. Cambridge University Press.

 

PRATT, M. L. (1992). Imperial Eyes: Travel Writing and Transculturation. Routledge.

 

SOUSA SANTOS, B. (2011). A Universidade do Século XXI: para uma reforma democrática e emancipatória da universidade. São Paulo: Cortez.

 

WALSH, C. (2010). Interculturalidad crítica y educación intercultural. In: Viaña, J., Tapia, L., Walsh, C., Mora, D., De Alarcón, S., Ploskonka, S., & Paz-Bolivia, L. Construyendo interculturalidad crítica. Instituto Internacional de Integración, Convenio Andres Bello.