dar voz àqueles que não têm: montaigne e rancière, por uma emancipação pedagógica e filosófica
DOI:
https://doi.org/10.12957/childphilo.2025.88964Palavras-chave:
artes, comunidade, igualdade de inteligências, emancipação, experiênciasResumo
O ensino é muitas vezes concebido em termos de distribuição de posições, papéis e status: beneficiando-se da legitimidade e do reconhecimento da estrutura institucional, o professor se afirma na postura do erudito, enquanto o aluno se torna o ignorante, e os excluídos permanecem fora dos locais de saber. “Liberar o palco real do discurso” não significa simplesmente dar voz a eles, mas borrar a divisão de lugares, liberando a fala e os corpos daqueles que não tinham voz na questão. A emancipação consiste em trabalhar o desenvolvimento das habilidades práticas de cada indivíduo para envolver sua inteligência e colocá-la em ação. Essa é a premissa que foi experimentada e confirmada em meu trabalho docente. É em termos de igualdade de inteligências, de acordo com a expressão de Rancière, que temos de pensar na integração daqueles que não são ouvidos, não porque não tenham nada a dizer, mas porque nunca lhes foi dado um lugar adequado para falar. Os campos restritos de experiência, que são os workshops ou projetos colaborativos, têm a virtude de abrir gradualmente o espaço de uma comunidade de iguais.
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Referências
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