As Vênus pervertidas
a transgressão sexual em A Vênus das Peles, de Sacher-Masoch, Senhor Vênus, de Madame Rachilde, e “Paixão Lésbica”, de Carlos Vasconcelos
DOI:
https://doi.org/10.12957/soletras.2025.92299Resumo
O artigo analisa a representação da transgressão sexual em três obras literárias: A Vênus das Peles (1870), de Leopold von Sacher-Masoch; Senhor Vênus (1884), de Madame Rachilde; e o conto “Paixão Lésbica” (1922), de Carlos Vasconcelos. A partir da perspectiva da dissidência sexual, o estudo investiga como essas narrativas subvertem normas sociais e sexuais por meio de personagens que desafiam os papéis tradicionais de gênero, desejo e poder. Em A Vênus das Peles, a transgressão se dá por meio de um contrato de servidão erótica entre Severin e Vanda, no qual o prazer está ligado à dor, humilhação e submissão consentida. A relação é marcada por um jogo de poder que erotiza a dor física e emocional, desafiando os padrões heteronormativos e patriarcais. Já em Senhor Vênus, a inversão de papéis de gênero é central. Raoule, uma aristocrata que assume traços masculinos, domina Jacques, um jovem artista de aparência efeminada. A relação entre os dois desconstrói a binariedade de gênero e questiona a naturalização dos papéis sexuais. Por fim, o conto “Paixão Lésbica”, de Carlos Vasconcelos, ambientado em Nova York, narra a relação entre Jessie e June, duas mulheres que desafiam as normas sociais ao viverem um amor lésbico. June assume uma aparência masculina para proteger Jessie dos assédios, e ambas vivem uma relação marcada por referências decadentistas e erotismo transgressor. Embora com abordagens distintas, as três obras compartilham a construção de personagens “Vênus pervertidas” que encarnam desejos proibidos e práticas sexuais dissidentes, revelando o potencial subversivo da literatura na crítica às normas de gênero e sexualidade.
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