Horacio Quiroga e o decadentismo: A masculinidade subversiva em Flor de Imperio

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.12957/soletras.2025.91995

Palabras clave:

Decadentismo latino-americano, Queer latino-americano, Horacio Quiroga

Resumen

Horacio Quiroga consagrou-se como um dos mestres do conto latino-americano graças às suas narrativas regionalistas e de horror. Entretanto, sua produção inicial revela uma fase marcadamente influenciada pelo esteticismo modernista e pela sensibilidade decadentista finissecular, sobretudo na antologia El crimen del otro. Este artigo analisa um dos contos desta obra, Flor de Imperio (1902), negligenciado pela crítica e que se destaca devido à sua divergência temática frente aos textos que consolidaram o autor. Objetiva-se examinar como o Quiroga decadentista subverte a masculinidade hegemônica, articulando essa transgressão às transformações socioculturais do continente na virada do século XX. O referencial teórico baseia-se em Silvia Molloy, José Quiroga, Ben Sifuentes-Jáuregui, Mario Praz e Emir Monegal, debatendo o desejo queer e a estética decadentista. A análise demonstrou que o protagonista do conto apresenta uma masculinidade dissidente que contesta o padrão do sujeito moderno latino-americano. Apesar do conservadorismo dominante na época, escritores como Quiroga lograram incorporar visões progressistas sobre gênero e sexualidade, mesmo que indiretamente. As performances como as apresentadas nesta narrativa podem ser lidas como metonímias de uma identidade nacional, por encenarem tanto o desejo mimético do cosmopolitismo quanto a ansiedade gerada por essa imitação, revelando fissuras no projeto modernizador da região.

 

Biografía del autor/a

Amalia Cardona Leites, Instituto Federal Catarinense

Doutora em Letras, área de concentração Estudos Literários, pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Possui graduação em Letras com habilitação em Língua Portuguesa e Espanhola e respectivas literaturas, pela Universidade da Região da Campanha (2006) e Mestrado em Letras - Estudos Literários pela Universidade Federal de Santa Maria (2013).Atualmente é professora da Educação Básica, Técnica e Tecnológica na área de Língua Portuguesa e Espanhola, no Instituto Federal Catarinense, no Câmpus Ibirama, e coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) no mesmo Câmpus. Tem experiência na Educação Básica em escolas privadas e escolas públicas municipais e estaduais, com o ensino de Língua Portuguesa, Língua Espanhola e Língua Portuguesa para estrangeiros. É membro do grupo de pesquisa Processos Educativos do Instituto Federal Catarinense.

Publicado

2025-08-31

Número

Sección

Dossiê 52 (maio-ago. 2025): Decadentes, Dissidentes e Proscritos no Fin-de-Siècle