"O que uma preta sabe de química?":

trajetória interseccional e docência insurgente da primeira doutora preta em Química no Maranhão

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/teias.2026.99797

Palavras-chave:

epistemologias negras, docência insurgente, narrativas de história de vida

Resumo

Conduzidas pela interrogação: como as interseccionalidades de raça, gênero e classe, presentes na trajetória de formação e atuação de uma professora negra doutora em Química no Maranhão, configuram uma prática docente que desafia a colonialidade do saber e valoriza conhecimentos historicamente marginalizados?, desenvolveu-se uma pesquisa qualitativa de orientação fenomenológica, centrada na narrativa da Dra. Vera Lúcia Neves Dias, primeira mulher preta maranhense a conquistar o título de doutora em Química. Por meio da Análise Textual Discursiva (ATD) de sua narrativa, fundamentada em referenciais teóricos de estudos feministas negros, da perspectiva decolonial e da teoria da interseccionalidade, emergiram quatro categorias: (i) reconfiguração biográfica e insurgência nas origens; (ii) a universidade como campo de tensão e cognição decolonial; (iii) epistemicídio, vigilância e a reivindicação do corpo titulado; e (iv) práticas pedagógicas insurgentes e compromisso social. Os resultados evidenciam a centralidade da docência como prática política e espaço de resistência, revelando saberes que desafiam a colonialidade do saber, do poder e do ser. Uma prática de insurgência epistêmica que, ao propor novas formas de pensar e ensinar ciências, subverte o lugar da subalternidade em espaço de produção crítica.

Publicado

12-08-2026

Como Citar

SILVA, Aline Roberta Santos Cardoso; ARANHA, Carolina Pereira. "O que uma preta sabe de química?": : trajetória interseccional e docência insurgente da primeira doutora preta em Química no Maranhão. Revista Teias, Rio de Janeiro, v. 27, n. 86, 2026. DOI: 10.12957/teias.2026.99797. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/revistateias/article/view/99797. Acesso em: 15 ago. 2026.

Edição

Seção

Mulheres, docência e interseccionalidades