História de mulheres, histórias da escola:
memórias e experiências docentes em comunidades ribeirinhas
DOI:
https://doi.org/10.12957/teias.2026.99760Palavras-chave:
mulheres docentes, educação ribeirinha, memórias, protagonismo feminino, Amazônia acreanaResumo
Este artigo discute o protagonismo feminino na constituição da educação escolar em comunidades ribeirinhas do município de Mâncio Lima, no estado do Acre, a partir das memórias e experiências de professoras que atuaram ou atuam em escolas localizadas às margens dos rios Môa e Azul. O objetivo consiste em compreender como as trajetórias de vida dessas mulheres contribuíram para a consolidação do ensino em territórios marcados pelo isolamento geográfico, pelas limitações de acesso às políticas públicas e pelas especificidades socioculturais amazônicas. A pesquisa fundamenta-se em abordagem qualitativa, com objetivos descritivo-explicativos e procedimentos de estudo de campo. Participaram do estudo oito professoras, sendo quatro aposentadas e quatro em exercício. A produção dos dados ocorreu por meio de questionários e entrevistas semiestruturadas, analisados à luz da análise de conteúdo, segundo a perspectiva de Laurence Bardin (2016). Os resultados evidenciam que a docência feminina nas comunidades ribeirinhas ultrapassa os limites da sala de aula, envolvendo práticas de mediação social, fortalecimento de vínculos comunitários e atuação em processos educativos formais e não formais. As narrativas revelam desafios relacionados à formação docente, às condições de trabalho e à mobilidade nos territórios amazônicos, mas também destacam estratégias de resistência, pertencimento e compromisso com a educação. Conclui-se que as professoras ribeirinhas desempenham papel central na construção histórica da escola e na promoção do acesso à educação, constituindo-se como protagonistas de processos educativos e de transformação social nas comunidades onde atuam.
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