Dona Mariinha entre crianças e memórias:
educação em um quilombo do São Francisco
DOI:
https://doi.org/10.12957/teias.2026.99747Palavras-chave:
mulheres educadoras, docência comunitária, interseccionalidade, relações intergeracionais, contracolonialidadeResumo
Este artigo discute as experiências educativas protagonizadas por Dona Mariinha, mulher negra quilombola da Comunidade Mata de São José, no Território Quilombola Águas do Velho Chico, no Sertão do São Francisco. O objetivo é compreender como processos de ensinar e aprender se realizam para além das instituições escolares, emergindo nas brincadeiras, nas cantigas, no cultivo da terra e nas relações entre diferentes gerações. A pesquisa foi desenvolvida ao longo de quatro anos com comunidades ribeirinhas do Rio São Francisco, com base na observação participante, em conversas abertas e na convivência prolongada em territórios. O artigo analisa três experiências vividas com Dona Mariinha e as crianças do quilombo. Os resultados mostram que sua atuação educativa constitui uma prática formativa construída na partilha de saberes entre gerações, para além dos limites da escola. A partir da interseccionalidade, das pesquisas com os cotidianos e da contracolonialidade, o texto destaca o papel das mulheres negras quilombolas na formação das novas gerações e na continuidade da vida coletiva. Por fim, aponta que o reconhecimento dessas experiências contribui para ampliar as concepções de educação e valorizar formas de docência historicamente pouco visibilizadas.
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