Entre moçoilas e moças decadentes:
a representação da virgindade feminina na ficção paraense
DOI:
https://doi.org/10.12957/teias.2026.99737Palavras-chave:
personagens femininas, virgindade, literatura paraenseResumo
O presente estudo analisa as representações literárias da virgindade feminina na ficção paraense dos decênios iniciais do século XX. Com base em contos, romances e crônicas de autores locais, a pesquisa examina a transição das jovens para a vida adulta sob a égide de uma sociedade rigidamente patriarcal. O texto analisa duas tipologias de personagens femininas: as “moças” ou “moçoilas” e as chamadas “moças decadentes”. As moçoilas eram idealizadas sob o imperativo da pureza virginal e submetidas a uma vigilância obsessiva, tanto no âmbito doméstico quanto no espaço público, configurando-se como “corpos disciplinados” desprovidos de autonomia e voz. Em contrapartida, as moças “decadentes”, que perderam a virgindade fora do matrimônio, enfrentavam severas dinâmicas de estigmatização e marginalização. Os dados coletados em textos ficcionais indicam que o silenciamento e o apagamento dessas trajetórias femininas funcionavam como mecanismos centrais de manutenção da honra familiar e da ordem social da época no Pará, cabendo à literatura um papel essencial como instrumento de memória e denúncia, capaz de romper silêncios históricos e conferir visibilidade à história das mulheres na Amazônia Paraense.
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