Entre giz, memória e interseccionalidades:
narrativas de professoras das classes populares
DOI:
https://doi.org/10.12957/teias.2026.99703Palavras-chave:
mulheres professoras, interseccionalidade, narrativas, pedagogias de resistênciaResumo
Este artigo discute questões referentes à feminização do magistério, à interseccionalidade, à memória e à experiência docente, problematizando a invisibilização histórica das mulheres professoras e dos saberes produzidos em contextos escolares populares. A análise parte das narrativas de professoras alfabetizadoras que atuaram em escolas públicas nas décadas de 1980 e 1990. Objetiva-se compreender como as trajetórias de vida e a atuação profissional dessas professoras revelam os atravessamentos de gênero, raça, classe e geração na constituição da docência feminina. A pesquisa, de abordagem qualitativa, fundamenta-se nas contribuições teóricas de Paulo Freire (1979, 1993, 1996) e bell hooks (2013), assim como nos estudos de Marie-Christine Josso (2007), Jorge Larrosa Bondía (2002) e António Nóvoa (2009). As narrativas revelam pedagogias produzidas no enfrentamento cotidiano das desigualdades e marcadas pela construção de vínculos duradouros com estudantes e comunidades. Também evidenciam que a alfabetização ultrapassava a dimensão técnica do ensino da leitura e da escrita, constituindo-se como prática de cuidado, pertencimento, resistência e compromisso ético com a transformação social. Conclui-se que as experiências dessas mulheres se configuram como fontes para a compreensão da docência feminina nas classes populares, contribuindo para os debates sobre mulheres, educação e interseccionalidades, ao reconhecer as professoras como produtoras de saberes, memórias e práticas de resistência.
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