Nadezhda Krupskaya na imprensa brasileira:
educação, gênero e anticomunismo (1924-1940)
DOI:
https://doi.org/10.12957/teias.2026.99195Palavras-chave:
história da educação, mulheres, eduacaçãoResumo
O artigo analisa as representações de Nadezhda Konstantinovna Krupskaya na imprensa brasileira, entre 1924 e 1940, buscando compreender como sua trajetória foi apropriada em meio às disputas políticas e ideológicas da Era Vargas e problematizar de que modo jornais brasileiros construíram discursos sobre essa pedagoga soviética, articulando questões de gênero, educação e anticomunismo. O estudo fundamenta-se na teoria das representações, de Roger Chartier; nas discussões sobre a invisibilidade histórica das mulheres, conduzidas por Michelle Perrot; e no paradigma indiciário, de Carlo Ginzburg. As fontes desta investigação são recortes de jornais localizados na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, totalizando 38 notícias publicadas em periódicos de diferentes estados brasileiros. Os resultados indicam que Krupskaya foi representada predominantemente como “viúva de Lenin”, tendo sua atuação intelectual e pedagógica frequentemente secundarizada em favor de narrativas políticas ligadas ao “perigo vermelho” e às tensões do stalinismo. Conclui-se que a imprensa brasileira atuou como produtora de discursos anticomunistas e de controle simbólico, contribuindo para a desqualificação da pedagogia socialista e para o apagamento das contribuições educacionais de Krupskaya.
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