Entre a ciência e a religião:
a imprensa espírita na disputa por hegemonia na Corte do Rio de Janeiro (1881-1882)
DOI:
https://doi.org/10.12957/teias.2026.98295Palavras-chave:
imprensa espírita, espiritismo, cientificismo, hegemoniaResumo
O presente artigo analisa a perspectiva cientificista que veio a lume na imprensa espírita do Rio de Janeiro, tendo como fonte a Revista da Sociedade Acadêmica Deus, Christo e Caridade, publicada entre 1881 e 1882. O objetivo consiste em compreender de que modo a lógica do discurso científico esteve presente na referida revista, com a finalidade de legitimar e difundir princípios da Doutrina Espírita no espaço público letrado da Corte, em um contexto marcado pela valorização da ciência. A perspectiva metodológica compreende a imprensa como espaço de circulação de ideias e de intervenção cultural, tomando como referência as formulações de Antonio Gramsci (1891-1937) acerca dos aparelhos privados de hegemonia. A partir desse referencial, entende-se a imprensa como meio de produção, organização e legitimação de valores voltados à difusão de concepções ideológicas que estão no interior da sociedade, especialmente entre os grupos letrados. A análise permitiu considerar que a Revista da Sociedade Acadêmica Deus, Christo e Caridade articulou um segmento interessado em ir além da simples divulgação dos princípios doutrinários, evidenciando esforços para inserir o Espiritismo nos debates intelectuais da época. Nesse movimento, seus articuladores buscaram dialogar com o pensamento cientificista vigente, por meio de estratégias que visavam conferir legitimidade à doutrina e ampliar sua inserção no espaço público, indicando, assim, uma atuação que se projetava sobre os rumos da Corte e sobre as discussões presentes no final do Império brasileiro.
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