Religião e formação moral do trabalhador urbano no Brasil (1932-1964)
DOI:
https://doi.org/10.12957/teias.2026.97451Palavras-chave:
religião, trabalhador urbano, educação social, Círculos Operários, Ação CatólicaResumo
O artigo analisa o papel das instituições religiosas, com destaque para a Igreja Católica, na formação moral e social do trabalhador urbano no Brasil entre 1932, quando se funda o primeiro Círculo Operário no Rio Grande do Sul, e 1964, quando o golpe civil-militar alterou as condições de atuação dos movimentos católicos junto ao operariado. Partindo de uma concepção ampliada de educação, o estudo compreende práticas religiosas como dispositivos de socialização que operaram para além dos espaços escolares, incidindo sobre hábitos, valores e comportamentos das classes trabalhadoras nas cidades. A pesquisa examina, em chave comparativa, três configurações regionais (Pelotas e Santa Maria, no Rio Grande do Sul; Joinville, em Santa Catarina; Uberlândia, em Minas Gerais) e mobiliza o corpus normativo dos Círculos Operários, documentos da Ação Católica Brasileira e periódicos católicos do período, articulando história social do trabalho e história da educação. Argumenta-se que essas instituições produziram uma pedagogia social voltada à internalização de valores como disciplina, hierarquia e moralidade familiar, operando em relação ambivalente com os projetos estatais de regulação social. O artigo se apresenta como ensaio de síntese historiográfica, e seus limites derivam dessa opção metodológica.
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