Silêncio Programado: Como plataformas apagam a Educação Ambiental Caiçara
DOI:
https://doi.org/10.12957/redoc.2026.95834Resumo
Este artigo discute como plataformas digitais e sistemas algorítmicos produzem silêncio programado sobre saberes de povos tradicionais, afetando a Educação Ambiental (EA) em territórios caiçaras. Com base na EA crítica e nas epistemologias do Sul, argumenta-se que os modelos de dados operam sob lógicas extrativistas e universalizantes, instaurando uma colonialidade do saber digital que tende a invisibilizar conhecimentos não hegemônicos. Trata-se de um ensaio teórico-documental que mobiliza literatura especializada e análise de documentos públicos (BNCC, PPPs, diretrizes curriculares e materiais institucionais de plataformas educacionais, além de marcos de proteção de dados), empregando categorias analítico-argumentativas (algoritmo, colonialidade de dados, justiça cognitiva). Os achados se organizam em três eixos: (i) apagamento algorítmico – bases de dados e métricas que desconsideram repertórios locais; (ii) padronização curricular-plataformas – alinhamentos tecnopolíticos que comprimem o currículo do território; (iii) contra-hegemonias escolares – possibilidades de reexistência por meio de práticas críticas que reintroduzem saberes do mar no cotidiano pedagógico. Conclui-se que a ausência sistemática desses saberes nos dados que informam políticas e materiais educacionais compromete a justiça socioambiental e a pluralidade epistêmica. Como agenda, propõe-se: governança de dados sensível ao território, curadorias curriculares que valorizem conhecimentos ancestrais e formação docente voltada à justiça cognitiva. O artigo contribui para o debate contemporâneo entre tecnologia, ecologia e educação ao delinear caminhos de descolonização digital na escola pública.
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