TORNAR-SE NEGRA

UMA ESCREVIVÊNCIA FORMATIVA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/redoc.2025.94766

Palavras-chave:

Escrevivências, Histórias de Vida, Educação Antirracista

Resumo

O presente texto é uma escrevivência formativa, um diálogo com minha história de vida e formação com intelectuais negras. É parte da  minha pesquisa do pós-doutoramento, intitulada “Redes da criação e autoria de professoras universitárias no contexto da cibercultura”. Tem como objetivo narrar, a partir de minha própria história, processos de embranquecimento que dificultam o letramento racial e revelar como o processo acadêmico e cultural potencializaram o desenvolvimento deste letramento, contribuindo para a minha atuação na formação inicial e continuada de professoras e professores. A metodologia da pesquisa e da escrita se pauta nas abordagens teóricas-práticas das escrevivências (Evaristo, 2020) e da (ciber) pesquisa-formação (Santos 2019). Nos processos de leitura de minhas memórias e de fotografias de meu acervo pessoal, fui compondo nas tessituras das realidades imaginadas por mim, enquanto pesquisadora, minhas interpretações possibilitadas pelo que venho aprendendo e construindo no processo de letramento racial. Concluo, propondo apontamentos para uma educação antirracista.

Biografia do Autor

Maristela Midlej Silva de Araujo Veloso, Universidade Federal do Sul da Bahia

Pós-doutora em Educação pel Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Doutora em Educação pela Universidade Federal da Bahia (2014). Mestre em Educação pela Universidade Federal da Bahia (2007). Especialista em Informática na Educação pela Universidade Estadual de Feira de Santana (1998). Especialista em Gestão e Planejamento de sistemas em EAD pela Universidade do Estado da Bahia (2004). Possui graduação em Letras pela Universidade Estadual de Santa Cruz (1991). É docente da Licenciatura Interdisciplinar em Linguagens e suas tecnologias da Universidade Federal do Sul da Bahia. Atualmente, coordena do Sub-projeto intitulado "Formação crítica de professores de língua portuguesa e literatura na perspectiva dos multiletramentos e da Cibercultura" do programa de Iniciação à Docência (PIBID) da Lincenciatura Interdisciplinar Linguagens e suas tecnologias da UFSB. É docente da porgrama de Pós-graduação em ensino e relações étnico-raciais na UFSB. Tem experiência na formação inicial e continuada de professores na área de Educação, com ênfase em Tecnologias na Educação, principalmente nos seguintes temas: formação de professores, educação online e cibercultura. Atuou como professora do Curso de Pedagogia para formação de professores em serviço PROAÇÃO UESC. Coordenou e foi docente do Módulo de Práticas Pedagógicas e TIC na especialização Tecnologias e Novas Educações da UFBA. Atuou na docência do Projeto Irecê/Tapiramutá - Curso de Formação de professores em serviço da Universidade Federal da Bahia. Foi docente do Núcleo de Tecnologia Educacional (estadual) e do Núcleo de Tecnologia Municipal - Itabuna-Ba.

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Publicado

15-03-2026

Como Citar

MIDLEJ SILVA DE ARAUJO VELOSO, Maristela. TORNAR-SE NEGRA: UMA ESCREVIVÊNCIA FORMATIVA. Revista Docência e Cibercultura, [S. l.], v. 10, n. 1, 2026. DOI: 10.12957/redoc.2025.94766. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/re-doc/article/view/94766. Acesso em: 17 mar. 2026.