TORNAR-SE NEGRA
UMA ESCREVIVÊNCIA FORMATIVA
DOI:
https://doi.org/10.12957/redoc.2025.94766Palavras-chave:
Escrevivências, Histórias de Vida, Educação AntirracistaResumo
O presente texto é uma escrevivência formativa, um diálogo com minha história de vida e formação com intelectuais negras. É parte da minha pesquisa do pós-doutoramento, intitulada “Redes da criação e autoria de professoras universitárias no contexto da cibercultura”. Tem como objetivo narrar, a partir de minha própria história, processos de embranquecimento que dificultam o letramento racial e revelar como o processo acadêmico e cultural potencializaram o desenvolvimento deste letramento, contribuindo para a minha atuação na formação inicial e continuada de professoras e professores. A metodologia da pesquisa e da escrita se pauta nas abordagens teóricas-práticas das escrevivências (Evaristo, 2020) e da (ciber) pesquisa-formação (Santos 2019). Nos processos de leitura de minhas memórias e de fotografias de meu acervo pessoal, fui compondo nas tessituras das realidades imaginadas por mim, enquanto pesquisadora, minhas interpretações possibilitadas pelo que venho aprendendo e construindo no processo de letramento racial. Concluo, propondo apontamentos para uma educação antirracista.
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