TOMADA DE CONSCIÊNCIA DOCENTE SOBRE A DOCÊNCIA UBÍQUA
CONTRIBUIÇÕES DA EPISTEMOLOGIA GENÉTICA À FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS
DOI:
https://doi.org/10.12957/redoc.2026.100378Resumo
Este estudo objetiva investigar o processo de tomada de consciência de docentes do ensino superior da área de Ciências Biológicas diante das demandas da docência ubíqua. Fundamentado na Epistemologia Genética de Jean Piaget e na Análise de Conteúdo de Laurence Bardin, adota abordagem qualitativa de caráter interpretativo. A produção de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas com nove docentes de uma instituição pública na Bahia, cujas identidades foram preservadas mediante pseudônimos. Os resultados revelam que a tomada de consciência docente distribui-se em três níveis cognitivos distintos: prático, conceituação progressiva e prerrogativa/reflexivo. Constatou-se que a maioria dos participantes atingiu o nível reflexivo superior, demonstrando autonomia pedagógica, antecipação de riscos de adoecimento físico ou mental e estabelecimento de limites éticos frente à hiperconectividade da cibercultura. Em contrapartida, os docentes focados no nível prático mantiveram uma apropriação puramente instrumental e técnica das mídias digitais, reproduzindo modelos tradicionais de ensino. Evidenciou-se que a transição do uso técnico para uma práxis crítica é impulsionada por desequilíbrios, contradições e conflitos cognitivos gerados pela própria ubiquidade tecnológica e por pressões do cenário pós-pandêmico. Conclui-se que o avanço operatório em direção à autonomia é indissociável de uma tríade relacional que articula o desenvolvimento individual do professor, as redes de cooperação interpares em sala de aula e o suporte de infraestrutura e blindagem jurídica fornecidos pela gestão institucional. Desse modo, a cooperação emerge como dimensão essencial para sustentar a equilibração majorante do fazer pedagógico contemporâneo.
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