PRÁTICAS LEITORAS EM TEMPOS LÍQUIDOS: experiências de leitura literária entre adolescentes na era digital
DOI:
https://doi.org/10.12957/pr.2026.96228Palavras-chave:
PortuguesResumo
Este artigo investiga as práticas e experiências de leitura literária entre adolescentes em tempos líquidos conceito estabelecido por Bauman (2001). O estudo foi realizado com alunos do primeiro ano do Ensino Médio do Instituto Federal Baiano – Campus Bom Jesus da Lapa, utilizando metodologia qualitativa, com aplicação de questionários digitais e grupos focais para coleta de dados. Os resultados indicam uma clara preferência pelo livro impresso, valorizado pela materialidade e pela experiência sensorial que proporciona, além da predileção por romances contemporâneos juvenis com temáticas afetivas e por obras que dialogam com as vivências emocionais dos jovens. A pesquisa evidencia ainda a importância dos suportes visuais, como capas e imagens, na construção do interesse pela leitura, além do papel terapêutico da literatura no acolhimento e enfrentamento de desafios emocionais. Nessa perspectiva, dialoga-se com Candido (2004), ao compreender a literatura como um direito humano, com Colomer (2003), que ressalta a relevância da leitura na formação do sujeito, e com Cosson (2006), que enfatiza a necessidade de práticas de letramento literário na escola. O estudo contribui para a reflexão sobre a mediação da leitura na escola, destacando a necessidade de reconhecer os interesses e as experiências dos adolescentes para promover uma formação leitora mais efetiva e significativa. Conclui-se que a leitura literária, longe de ser uma prática meramente instrumental, constitui-se como um espaço significativo de subjetivação, acolhimento e resistência em um contexto marcado pela volatilidade e pelo excesso informacional.
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