ESCREVER PARA A PROVA E ESCREVER PARA A VIDA: reflexões sobre o ensino da escrita no Ensino Médio
DOI:
https://doi.org/10.12957/pr.2026.96012Keywords:
práticas de escrita, Enem, artigo de opinião, formação cidadã, escola públicaAbstract
Neste artigo, examinamos duas práticas de escrita desenvolvidas no Ensino Médio de uma instituição pública federal, tomando-as como oportunidades de compreender como o ensino de língua portuguesa pode articular, simultaneamente, exigências de avaliações externas e uma formação linguística, crítica e cidadã mais ampla. A partir de referenciais sociointeracionistas e da concepção bakhtiniana de gêneros discursivos, discutimos como a escrita na escola, tratada como prática social situada, ultrapassa a noção restrita de “redação escolar” e se afirma como espaço de participação, agência e intervenção no mundo. A análise das experiências pedagógicas destaca que o domínio do gênero requerido pelo Enem depende não apenas de conhecimentos linguístico-discursivos específicos, mas também de condições de acesso a bens culturais, tanto por parte dos estudantes quanto de seus professores. Defendemos que iniciativas sistemáticas de leitura, análise e produção textual permitem enfrentar tais desigualdades sociais, ampliando a autonomia intelectual dos jovens e fortalecendo sua inserção qualificada na vida pública. Logo, as práticas analisadas revelam que integrar dimensões cognitivas, linguísticas e socioculturais no trabalho com textos possibilita devolver centralidade à escrita na escola e consolidar um ensino capaz de articular preparo para exames, formação crítica e democratização das oportunidades educacionais.
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