Apresentação do Dossiê "Vigiar e Punir: 50 anos depois" (vol. 2)
DOI:
https://doi.org/10.12957/mnemosine.2025.97459Resumo
Em Vigiar e Punir, encontramos uma grande crítica ao “Humanismo” em sua função de situar origens para o moderno direito penal. Esta inspiração nietzscheana de timbre anti-humanista tal como se insere na perspectiva foucaultiana é aqui apreciada sob diferentes formas. A primeira porção dos textos deste número detém-se no período que precede a formação do programa de uma genealogia do poder. A oportuna tradução de trechos dos “Cadernos de reinvindicações oriundos das prisões a partir das recentes revoltas” – resultado do trabalho conduzido colaborativamente pelo Grupo de informações sobre as prisões (GIP) – oferta um ângulo privilegiado para o cenário de lutas políticas que alimentou a escrita de Vigiar e Punir. Já o segundo conjunto de textos segue percurso contrário, explorando temas não abarcados por Foucault, mas que passaram a figurar enquanto questões políticas contemporâneas. Da querela prisional às ruas chilenas, a pesquisa foucaultiana sobre o complexo saber-poder-corpo – inclusive animais – convoca modos de agir e pensar fora do próprio Humano.
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Referências
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