Individuação Disciplinadora e Terapia ABA para Autistas
novas ou antigas tecnologias anatomopolíticas?
DOI:
https://doi.org/10.12957/mnemosine.2025.95879Palavras-chave:
ABA, poder disciplinar, autismoResumo
No cinquentenário de “Vigiar e Punir” de Michel Foucault, o presente artigo propõe pensar a atualidade da obra a partir de uma breve investigação da terapia Applied Behavioral Analysis (ABA) destinada principalmente para crianças autistas. Para tal, será utilizado principalmente a noção de disciplina e a densa descrição dela na terceira parte do livro foucaultiano, analisando as formas como o controle minucioso do corpo em relação a certo espaço e temporalidade - aliados aos mecanismos de vigilância, de uma sanção normalizadora e da prática do exame - atuam na individuação de autistas. Chama-se atenção para a forma como a genealogia foucaultiana permite a desnaturalização da norma subjacente à prática da ABA, permitindo um olhar crítico para as controvérsias que envolvem esse método terapêutico.
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