Individuação Disciplinadora e Terapia ABA para Autistas

novas ou antigas tecnologias anatomopolíticas?

Autores

  • Lua Gall Gagliardi Programa de Pós-Graduação em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EICOS-UFRJ).
  • Arthur Arruda Leal Ferreira Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

DOI:

https://doi.org/10.12957/mnemosine.2025.95879

Palavras-chave:

ABA, poder disciplinar, autismo

Resumo

No cinquentenário de “Vigiar e Punir” de Michel Foucault, o presente artigo propõe pensar a atualidade da obra a partir de uma breve investigação da terapia Applied Behavioral Analysis (ABA) destinada principalmente para crianças autistas. Para tal, será utilizado principalmente a noção de disciplina e a densa descrição dela na terceira parte do livro foucaultiano, analisando as formas como o controle minucioso do corpo em relação a certo espaço e temporalidade - aliados aos mecanismos de vigilância, de uma sanção normalizadora e da prática do exame - atuam na individuação de autistas. Chama-se atenção para a forma como a genealogia foucaultiana permite a desnaturalização da norma subjacente à prática da ABA, permitindo um olhar crítico para as controvérsias que envolvem esse método terapêutico.

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Biografia do Autor

Lua Gall Gagliardi, Programa de Pós-Graduação em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EICOS-UFRJ).

Programa de Pós-Graduação em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EICOS-UFRJ).

 

Arthur Arruda Leal Ferreira, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Professor do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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Publicado

2025-12-24

Como Citar

GALL GAGLIARDI, Lua; ARRUDA LEAL FERREIRA, Arthur. Individuação Disciplinadora e Terapia ABA para Autistas: novas ou antigas tecnologias anatomopolíticas?. Mnemosine, Rio de Janeiro, v. 21, n. 1, p. 209–226, 2025. DOI: 10.12957/mnemosine.2025.95879. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/mnemosine/article/view/95879. Acesso em: 4 fev. 2026.