PODE A DIFERENÇA INSISTIR NAS ENTRANHAS DA SUA PRÓPRIA ANIQUILAÇÃO? MULHERES, MANGUES E MOVIMENTOS

Rô Aragão Matias, Michele de Freitas Faria de Vasconcelos, Sandra Raquel Santos de Oliveira

Resumo


Esse artigo integra parte dos efeitos de um percurso de extensão e pesquisa que aproximou alunas e professoras do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Sergipe ao Movimento de Marisqueiras de Sergipe (MMS). Uma pesquisa que tinha como ponto de partida a intenção de acompanhar processos de invenção da vida cotidiana de mulheres marisqueiras em Sergipe, conhecendo os modos de vida; desdobrou-se na produção de método-pensamento que coloca em questão nossos gestos capitalísticos-empreendedores, inclusive, gestos de pesquisa. Por meio dessa ressonância, inspirando-nos em procedimentos etnográficos e cartográficos, constituímos, com a pesquisa, um território comum com as águas, o mangue, as marisqueiras e as pesquisadoras na direção de afirmar a singularidade e a singularização da vida de mulheres marisqueiras, mulheres de povos e comunidades tradicionais. 


Palavras-chave


mulheres; mariscagem; corpo; território; resistência

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DOI: https://doi.org/10.12957/riae.2021.53923

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e-ISSN: 2359-6856

 


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