Palavras desde o limbo. Notas para outra pesquisa na educação ou, talvez, para outra coisa que não a pesquisa na educação.

Jorge Larrosa

Resumo


O dispositivo “pesquisa educativa” se perpetua transformando-se e se multiplicando. Vocês conhecem as fórmulas: pesquisa na prática ou para a prática, pesquisa crítica, pesquisa participativa, pesquisa formativa, pesquisa qualitativa, pesquisa reflexiva, pesquisa não sobre jovens, mas com jovens, etc. O que eu queria fazer hoje aqui, com vocês, é problematizar o dispositivo mesmo e examinar se o que fazemos, ou o que, os que amparados na palavra experiência trabalhamos em educação gostaríamos de fazer, é ainda pesquisa, outra forma de fazer pesquisa educativa, ou se é, talvez, outra coisa que pesquisa.
E eu gostaria de fazer isso no contexto de uma sociedade em que o conhecimento se mercantilizou quase completamente – ao constituir uma mercadoria valiosa, nisso que veio a se chamar o “capitalismo cognitivo” –, contribuindo a dar pontos e qualificações comparáveis e intercambiáveis – quer dizer, valor mercantil – ao que produzem os investigadores e, sobretudo, as instituições de pesquisa, e é praticado no marco dessas palavras mágicas de nossa época – que são a inovação e a competitividade, ambas tomadas do mundo da mercadoria – e, por suposto, quando o conhecimento produzido se colocou a serviço de políticas educativas estatais e paraestatais cada vez mais globalizadas.

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ISSN 1518-5370 [impresso] • 1982-0305 [eletrônico]
Teias, uma publicação eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Educação – ProPEd/UERJ
Qualis/Capes - A2 (2017/2018) 
DOI: 10.12957/teias

 

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