Um novo tempo, apesar dos perigos: atuação docente na educação básica no contexto da cibercultura - a voz das educadoras!

Aurinete Alves Nogueira, Francisca Regiane Sabino de Sousa, Francisca Geny Lustosa, Aleandra de Paiva Nepomuceno

Resumo


Esse artigo explicita o contexto do trabalho remoto emergencial (pandemia Covid-19) e o novo “desenho” delineado para o processo de ensino-aprendizagem. O referencial teórico contempla autores como Sperandio (2018), Silva (2010), Lévy (1999), Castells (1999), Moura (2006) e Santos (2006) para reflexões sobre cibercultura e seus dispositivos, desafios e conceitos, e Tardif (2002) sobre saberes e formação docente. Pesquisa de abordagem qualitativa, com assento na cartografia (DELEUZE; GUATARRI, 2011), constituída de narrativas das professoras-pesquisadoras-autoras, registros de diários de campo, planejamentos de aulas no âmbito do trabalho remoto, consulta a normativas, pareceres e portarias designando o ensino remoto nacional e da rede municipal de Fortaleza e informações advindas de duas outras pesquisas realizadas junto a professores(as) da educação básica, no âmbito de todo o país. As narrativas apontam para a emergência de novos saberes-fazeres, além dos desafios, considerando avanços, retrocessos e limites, dentre eles os fatores e dimensões que se tornam mais laboriosas, indicando doenças como cansaço extremo e infotoxidade. Os resultados evidenciam um processo inédito de reinvenção de saberes, em maior grau de intensidade, com apropriação de conhecimentos sobre recursos, produtos, plataformas streaming, etc. Quanto ao fazer pedagógico, vislumbramos precariedades que caracterizam o tipo de inclusão e letramento digital (subalterno, caudário e seletivo), baixas condições socioeconômicas das famílias, que repercutem em impossibilidades de acesso à internet e a equipamentos tecno-informacionais capazes de realizar produções colaborativas, em rede, com interatividade, interconectividade e hipertexto, dentre outras características alinhadas aos contextos da cibercultura.


Palavras-chave


Cibercultura. Docência. Ensino remoto emergencial. Saberes-fazeres

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Referências


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DOI: https://doi.org/10.12957/redoc.2021.60443

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