Notícias: PARA CINECLUBES E CLUBES DE LEITURA DE, COM E PARA MULHERES: VEM CONVERSAR ONLINE COM ALGUNS VISUAIS STORYTELLING!

Por Edméa Santos
Professora titular-livre da UFRRJ.

 

Quem conhece nossa obra sabe bem que cibercultura é para nós sempre um conjunto de práticas, experiências e invenções na relação cidade-ciberespaço. Sou daquelas que habitam as cidades e com elas aprendo, educo e me reinvento. Sou diarista, sempre deixo rastros desse caminhar ubíquo com narrativas imagéticas, textuais e sonoras e por que não dizer hipermidiáticas? Sou de ir ao cinema, sou rata de livraria. Leio com e no meu dispositivo online, mas não abro mão de um bom impresso. Amo livros, me apaixono pelas edições, amo seus cheiros. Capas, textos de orelhas e quartas-capas me capturam. Assim como me relaciono com os livros sejam eles eletrônicos ou impressos, me relaciono super bem com o clássico cinema e os filmes nas plataformas. Amo a sala de cinema e seu combo básico: ir ao cinema, frequentar livraria antes ou depois dos filmes, bares e ou restaurantes com amigos, alunos e família para conversar sobre os filmes. Muitas vezes converso comigo mesma, amo viajar e sair sozinha.

A pandemia da covid-19 nos apartou da cidade, confinando-nos ao espaço doméstico. O office na casa foi se aperfeiçoando e nossa relação com os livros e filmes foi ganhando uma diferente dimensão no ciberespaço e nada ou quase nada de cidade. Os livros impressos não pararam de chegar pelos correios, graças ao e-commerce. Meu dispositivo Kindle teve sua biblioteca bastante ampliada, seja por novas aquisições nas plataformas, seja por presentes que chegavam em forma de “recebidos”. Palavras novas emergiram em abundância, e eu confesso que “recebidos” é uma das minhas preferidas, até porque as materialidades dessas palavras chegaram e chegam cheias de afetos, amores e amizades a minha casa. Recebidas com cheiros, texturas, materialidades plurais. Até as dissertações e teses que chegam para minha avaliação me encantam demais. Sempre chegam com algum mimo junto.

Leio e vejo filmes de vários gêneros e temas diversos. Meus preferidos passam por temas ligados a tecnologias, principalmente as digitais em rede, artes em geral e eu amo as artes visuais; alguma coisa de gastronomia também é bem-vinda. Curti demais os amigos nas redes aprendendo a cozinhar. Chefs novos emergiram. Cheguei a partilhar minhas receitas de axé com a legenda “Dendê é vida!”. De todo modo, o tema que realmente e com mais intensidade me tomou foi o “feminismo”. Li mulheres e aliados, vi muitos filmes de e sobre mulheres nos mais diferentes contextos: políticos, educacionais, ativistas, artísticos. Construí bibliotecas online e um acervo de filmes nas mais diversas plataformas. Comecei a turbinar minha playlist básica e fui assinando mais plataformas nacionais e internacionais. Textos, audiovisuais e narrativas sonoras me ajudaram muito a resistir com alegria e criatividade ampliando sobremaneira meus repertórios. Tudo isso provocou diferentes ressonâncias em minhas interações formais (em minhas salas de aula) informais (nas mais variadas redes educativas que habito) e não formais, uma vez que aprender assim é a prática mais efetiva da educação aberta.

Sou uma pessoa de rede. Minha existência é movida pela partilha. Partilho nas minhas redes sociais algumas impressões que tive, e tem disso tudo no formato de visual storytelling, um gênero da cibercultura. Com Maddalena (2018), desenvolvemos alguns gêneros de digital storytelling na formação de professores e, de lá pra cá, nunca mais deixamos de narrar com imagens e textos disparados por essas imagens. Minha plataforma preferida para essa prática é o Instagram (@mea.santos). Costumamos fotografar capas dos livros que lemos e ou fazemos prints de tela de partes do livro, bem como dos cartazes e cenas dos filmes que vemos. Como essas imagens, textos variados emergiram também em diferentes gêneros: resenhas, resumos, comentários, críticas. Esses visual storytellings são partilhados na plataforma Instagram e copiados para Facebook. Gosto dessa dobradinha, apesar de reconhecer a falência da conversa no Facebook.  Com essas postagens, debates emergiram também nos mais variados formatos e gêneros: conversas, agradecimentos, discussões. Algumas vezes tudo isso foi levado para dentro de nossas salas de aula online integrando redes formais, informais e não formais nos projetos de ensino, pesquisa e extensão que desenvolvo na Universidade Rural (UFRRJ).

 Há mais de 15 anos, desenvolvemos junto ao GPDOC o dispositivo Cineclube. Assistimos a filmes juntos para ampliar nossos repertórios de ciberpesquisa-formação. Esse dispositivo já se desdobrou em atividades de ensino, pesquisa e extensão. Muitos encontros presenciais com debates online em diferentes plataformas: ambientes virtuais, blogues e redes sociais (SANTOS, 2014; SANTOS, 2019). Durante a pandemia da covid-19, nossos cineclubes foram totalmente online. Habitamos as plataformas em nossas smartTVs e também em nossos smartphones, dialogando em nossas redes sociais. Enfim, nos reinventamos. Desenvolvemos diferentes saberes e competências e assim vamos resistindo em rede e com autoria. Salvando nossas vidas e dos nossos pares. Vamos conversar? A seguir compartilho alguns visual storytellings  dos nossos cineclubes e clube de leitura.

O objetivo deste texto é mais partilha. Partilhar o dispositivo para aperfeiçoá-lo em mais conversas. Quero receber convites dos leitores para interagir com suas descobertas também. Quero ampliar os diálogos também no meu perfil, ampliando nossas redes e conexões e com elas nossas ambiências formacionais e de aprendizagens.

 Para clube de leitura só uma degustação!

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“Dororidade”, de Vilma Piedade 

 

Comecei a ler esse livro, quase certa do que iria encontrar. Sabia que teria mais contextualizações sobre o que imaginava ser essa tal noção de “dororidade”. Precisava de mais repertório para compreender alguns sentimentos e obter ajuda para entender alguns comportamentos... Como a dor traumatiza e até paralisa gentes tão incríveis... Mas que, em muitos casos, dispararia irmandades também pela partilha dessas dores. Nunca confundi “sororidade“ com “dororidade”. Sobre isso, também estava certa. Mas não pensem que essas “certezas” deixaram minha leitura morna, muito pelo contrário. Foram muitas as aprendizagens. A noção é cunhada pela autora, com argumentação complexa e multirreferencial. O leitor tem uma aula de como “conceitos“ são forjados historicamente. Narrativas históricas, filosóficas, memórias cotidianas, dados de pesquisas empíricas / estatísticas, diálogos com outras feministas e filósofos são tecidos num texto fluente e não menos denso. Ao mesmo tempo cheio de muitas aberturas e temas pouco aprofundados. Mesmo assim, esses possíveis gaps são muito bem-vindos! Eles nos provocam pausas de pensamentos, nos convidam a outras conexões... Adorei e já faz parte do nosso repertório 2020-1!

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“Quarto de despejo”, de Maria Carolina de Jesus 

 

Há tempos queria ler esse livro... Ano passado (2019) vida e obra de Carolina Maria de Jesus circularam em diversos suportes e linguagens. Muitas matérias, entrevistas, reportagens sobre a autora circularam. Comprei o livro, dei de presente 🎁 e não li. Depois ganhei de presente da minha amiga @tatianaspaz e aí não teve jeito, ele voltou para a longa fila de leitura e a furou. Acho que não poderia ter escolhido melhor contexto para lê-lo. Momento difícil, tendo que administrar nova rotina pessoal e também profissional. Não me sinto confinada ainda, até porque já faço home office há séculos. Obviamente que sinto uma absurda falta da rua, do meu cinema, dos meus amigos. Não posso nem planejar minhas férias, viajando por aí... Agora as demandas são outras e não são poucas... Quarto de despejo é um diário. Adoro diários. Faço diários, oriento práticas de diários de pesquisa, penso formatos e linguagens com meu grupo de pesquisa. Quem faz pesquisa-formação na cibercultura tem seu diário online. Mas esse diário aqui é singular. A autora escreve a FOME. Isso mesmo, a fome de comida básica. Mas também a sua fome por conhecer... Esta última a alimentava e a livrou da loucura. Ela escrevia e a escrita costuma curar. Escreve sobre as ressonâncias da escravidão num Brasil em processo de industrialização e modernidade. Um país que nem pensava em políticas de ações afirmativas (um parêntese aqui – afinal este Brasil de bem só praticou ações afirmativas nos últimos 20 anos para ampliar a capilaridade). Um Brasil que ignorava a vida nas favelas. Nada muito diferente dos dias atuais. A diferença é que a favela se empoderou e hoje agrega muita vida produtiva, apesar de tudo. Acabei com esta leitura hoje, antes que ela acabasse comigo. Chorei muito, fiquei com muita vergonha de nós, brasileiros. Mas aprendi tanto com essa mulher maravilhosa. Que aula. Ela fabula, faz crítica social, opera conceitualmente, pensa sobre si e em contexto. Confesso, que fiquei perturbada com gaps linguísticos e erros ortográficos. Mas também me senti confortável. Afinal, o que são erros ortográficos diante da potência de uma autoria? Carolina fala sobre empoderamento de uma mãe solo, do machismo, da falta de sororidade, de autoria...

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 “Jacob(Y), ‘entre os sexos’ e cardiopatias”, de Thais Emilia de Campos dos Santos 

 

O que foi esta live, @sarawagneryork? Quando as histórias de vida e formação potencializam nossos processos formativos.  Partilhar essas histórias – documentadas em formatos, gêneros e suportes científicos e ou literários diversos – amplia sobremaneira nossos repertórios, causando mudanças concretas em nossas formas de atuação no mundo. O meu mundo passa pela docência, sempre. Histórias de vidas são vividas e pensadas cientificamente, deixando rastros de saberes e conhecimentos. Esses rastros são disparadores e mais atos de currículo e dispositivos. Eu, que milito e pratico com @gpdoc.ufrrj a pesquisa-formação na cibercultura, sei bem como tudo isso é potente. Saberes e conhecimentos que quebram paradigmas e que ampliam repertórios, promovendo mais justiças! Justiça cognitiva, inclusive. Este semestre, que só teve apenas uma aula presencial por conta da covid-19, começou pra mim e para meus alunos do doutorado no PPGEDUC/UFRRJ com um questionamento sobre “as histórias únicas” e sobre os “nossos lugares de fala” no contexto das nossas investigações acadêmicas. Não podemos pesquisar mais do mesmo. Esta live de hoje me tocou ainda mais, no sentido de continuar investindo em práticas outras... Pesquisemos nossas singularidades, pesquisemos na e com as diferenças. Hoje aprendi mais sobre a vida. Aprendi com a feminista e doutoranda Thais Emilia, aprendi com seu advogado, João Mineiro. Aprendi com a ambiência formativa criada, gerida e mediada por @sarawagneryork. Obrigada 🙏! O legado das lives já deixa marcas de aprendizagens no contexto pandemia da covid-19. Tudo passará e nós sairemos disso tudo mais sensíveis. Por mais sensibilidade na vida e da formação. Estamos juntas!

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“All about love”, de bell hooks, e “Por que amamos” de Renato Noguera 

 

 

Sentir amor 🥰! Viver amores! Questionar o amor, entendê-lo em contextos culturais diferentes é tão importante. Faz tanta diferença quando ampliamos nossos repertórios. Em tempos tão horrendos é realmente importante buscar o amor nas suas mais variadas dimensões. Compartilho aqui dois livros que amei ler sobre o tema. O primeiro, que já conta no Brasil com uma versão em português (Tudo sobre o amor, Editora Elefante, 2021), foi escrito por bell hooks. Ela escreve como eu amo e gosto de fazer também. Não separa sua vida cotidiana da relação cidade, aprendizagens, vida e formação acadêmica. Bricola gêneros textuais e narra lindamente. O segundo é do querido @noguera_oficial, que tenho adorado conhecer. Sua obra mais literária é tão filosófica kkkk. A partir de contos plurais ele nos convida a refletir sobre diversos temas relacionados ao 🥰. Adorei super! Recomendo super! Por mais amor, amores e amantes. Por mais amor neste mundo! Mais amor, mais vida e alegria. Jeitos de viver bem e melhor com o planeta 🌎.

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“Emma e o sexo”, de Ilana Eleá

 

@ilanaelea, meus parabéns por essa autoria! 👏🏻 Que capa incrível da @evauviedo. Linda! Terminei a leitura num dos meus cantinhos preferidos e por que não dizer dos mais eróticos? Comecei a ler com muitas expectativas, principalmente por causa do gênero erótico mesmo. Já conhecia alguns de seus textos científicos, poéticos, narrativas cotidianas, diários. No começo fiquei um pouco “frustrada”, pois achei que demorou um pouco para a leitura engrenar no que de fato eu queria. Saber que a personagem era uma pesquisadora e todo aquele papo de processos de pesquisa não me agradou muito no começo. Fiquei pensando cá com meus botões: “Cadê o erótico?” De todo modo, não desisti, e foi a melhor coisa que fiz. Avancei na leitura e encontrei uma narrativa correta, bem escrita, cheia de descrições incríveis e achei “o erótico“ muitas vezes. Emma, Juliana e Nicolas me foram boas companhias... Como a mensagem é sempre escrita também pelos receptores, leitores sobretudo, acho importante partilhar também um achado. Esse livro é uma bela literaturização da ciência. Pesquisa é sempre uma “aventura pensada”. Reflexões maravilhosas sobre patriarcado, comportamento feminino contemporâneo, narrativa etnográfica, reflexões sobre ética na pesquisa, errâncias, opacidade, rigor outro... E os textos etnográficos? Que belos textos etnográficos há neste livro de literatura. Alguns capítulos são pérolas de etnografia... Que mania de querer levar tudo pra sala de aula, né, @measantos? Levo mesmo! Nosso papel é, sim, criar ambiências para ampliarmos nossos repertórios com múltiplas linguagens. Levarei trechos inteiros já selecionados kkk. Emma é tão de verdade @ilanaelea. Sabe por que, amada? Ela tem culpa. Ela confunde várias vezes sexo com amor, tem dilemas desnecessários para quem se diz estudiosa das sexualidades e empoderamentos. Seus dilemas são carolas, mas ela se joga... Ela “mergulha com todos os sentidos“ kkkk... Seja na Suécia, seja no Rio de Janeiro, o patriarcado nos atravessa... Cenários, gentes, cheiros, cores, texturas estão em palavras... Adorei! Parabéns! 🍾 Quando vou conhecer a psicanalista da Urca? #escritademulher #narrativaspandêmicas #emmaeosexo

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Para Cineclube, só uma degustação!: “Anne Frank: Parallel Stories”, documentário de Ana Migotto e Sabina Fedeli.

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Anne Frank

 

Amo o texto do diário que li quando jovem. Estou sempre me reencontrando com esse texto, inclusive com linguagens e transmídias diversas. não só para trazer o “gênero dos diários“ para minhas aulas, mas também para falar de autoria e autorização. Escrever é sempre uma dificuldade revelada por anos e anos de desautorização vividas por nossos alunos e até por colegas docentes. Muitos ainda são vítimas de currículos desautorizantes. Na difícil tarefa de orientar dissertações e teses, desbloquear a escrita é para mim umas das atividades mais instigantes. O dispositivo dos diários de pesquisa me ajuda a mediar e desbloquear essas autorias. O diário da Anne Frank é atemporal. Muita gente leu, eu li e muitos outros lerão. Minha Nina já leu... Sempre me interesso por essa história, que é sempre triste e não pode ser esquecida. O atual filme, já disponível na Netflix, tem seu roteiro costurado pela leitura do diário (por sinal lido por uma atriz que adoro) e uma personagem ficcional contemporânea que transita pelos lugares que a menina Anne viveu e passou. As histórias paralelas são de famílias e pessoas de várias gerações que recuperam narrativas de seus antepassados que de certa forma são contemporâneas de Anne. Historiadores entram na conversa também, com muitas narrativas, imagens da época. Sempre bom recontar essa história. Ainda mais em tempos tão duros como estes. Não era muito o que estava querendo assistir neste final de semana, mas valeu! Fica a dica!

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“Nada ortodoxa”, série em quatro capítulos, dirigida por Maria Schrader 

 

Muitas vezes, nós, da educação, usamos a palavra “tradicional” para falarmos de práticas caducas, instrucionistas, pouco ou quase nada interativas. Práticas que não apostam na liberdade, que não permitem a coautoria dos estudantes e muito menos a invenção pedagógica por parte dos professores. Mas, atenção, tradicional vem de tradição e as tradições garantem o movimento das culturas ao longo da história. As tradições garantem as singularidades e as diferenças de uma comunidade, de um povo. São as tradições que garantem a “diferença” que nos constituem como humanidade. Um currículo forjado na diferença é o que galgamos cotidianamente. Não apenas para tolerar o diferente, mas sobretudo aprender com ele. Fazer da diferença fundamento / conteúdo. Em contrapartida, temos de prestar atenção também para os limites de algumas tradições, principalmente aquelas que nos subjugam, que nos violentam em nossa própria condição humana. Como fazer da tradição movimento e mudança? Como romper e refutar tradições que preservam práticas de violência? Podem as mulheres ser impedidas de formação e se desenvolverem? Podemos em pleno século XXI não ter acesso a informação em rede? Podemos continuar reduzindo o sexo a práticas reprodutivas? Podemos não ter acesso à liberdade de expressão? Qual o limite entre o sujeito e seu coletivo? Uma pessoa que não queira ou não se identifique com as tradições de sua comunidade deve ser eliminada e ou subjugada por ela? Como nós, professores, podemos dialogar com a potência e os limites das tradições que compõem nossas salas de aulas presenciais e online? De que forma a escola e as universidades públicas, laicas e de qualidade podem efetivamente forjar currículos interculturais? Será que podemos viver e conviver com mundos e racionalidades em que o poder fica centrado nas mais diversas expressões do patriarcado? Mesmo tendo estudado e vivido em mundos interculturais, porque ainda reforçamos as mazelas de nossas tradições, inclusive aqueles que vivem do seu fundamentalismo histórico? Essa minissérie é um convite ao pensamento e a formulação de muitas questões. Sem questões não temos disparadores para mudanças e estas movem nossos mundos.

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 “Homem-absorvente”, filme dirigido por R. Balki 

 

Da narrativa cinematográfica eu não gosto. Achei over e caricata. Além de atuações que beiram à canastrice. Por outro lado, a história e seu conteúdo são ótimos para o importante debate. Precisamos ter absorventes na cesta básica! Temos de ofertá-los nas escolas públicas de todo o país. Temos de debater a menstruação e a nossa relação com ela. Temos de conversar e falar sobre esse tema tão importante e que provoca muitas violências. Menstruação é vida! Menstruação é subjetivação! Pena que o patriarcado nos destrói também por esta singularidade feminina. 💋Precisamos de aliados que discutam e aprendam conosco. Vamos levar esse filme para nossas ambiências formacionais. Trata-se de tema da e para a escola básica discutir e problematizar! Assisti no ano passado e não partilhei porque só costumo  partilhar filmes bons em conteúdo e forma. Mas acho que vale a pena até para falarmos sobre linguagem cinematográfica pelo mundo. Os indianos têm também avançado nisso... 💋

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“Rita”, série dinamarquesa criada por Christian Torpe 

 

Acabei de maratonar a quinta temporada de Rita! Vi tudo! Gostei da série como um todo e fui acompanhando sempre. Mas eu amei em especial a quinta temporada. Teve um pouco de tudo: fake news, violência doméstica, suicídio... Temas do nosso tempo. Rita é uma mulher livre, lida bem com seu corpo e seus desejos. Não tem papas na língua e foge aos padrões professorais. Inova nas práticas e nos modelos de gestão escolar. Sabe bem impor limites e foge dos estereótipos da “professorinha“. Até lembrei de uma máxima freiriana: “Professora, sim; tia; não“. Seu lema é “salvar as crianças de seus pais”. Reflexões familiares são incríveis. Uma das temporadas reconstrói a própria reação da Rita com seus pais e sua mãe (reação esta é costura as primeiras temporadas). Fui vendo aos poucos. Vi a Rita envelhecer inclusive kkkk. Recomendo para quem começou agora ir intercalando com outras coisas... Será overdose de escola...

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“Ethos: 8 em Istambul”, série turca dirigida por dirigida por Berkun Oya 

 

Gosto muito de narrativas com medicações terapêuticas em contextos culturais diversos. Boas conversas e temas em rede. Em Ethos a rede que conecta as personagens é incrível e faz com que o roteiro seja surpreendente, apesar de suas muitas previsibilidades. A diferença grita e se impõe em tantas disputas, tensões, táticas e subversões culturais. Urbano que tenta ser cosmopolita disputa visceralmente com memórias e histórias construídas nas comunidades tradicionais. Patriarcado, doenças mentais, relacionamentos, famílias, papéis de gênero, religião que comanda vidas são temas e costuram essa narrativa de um jeito tão competente cinematograficamente. Adorei roteiro, atuações, locações, figurinos. Bom demais ter acesso a outras formas de fazer audiovisual. Artistas tão diversos mostrando seus trabalhos de forma globalizada. Ampliar repertórios, o cinema pode tanto...

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Referências

SANTOS, Edméa. Pesquisa-formação na cibercultura. Santo Tirso, Portugal: Whitebooks, 2014.

SANTOS, Edméa.  Pesquisa-formação na cibercultura. Teresina: EDUFPI, 2019.

MADDALENA, Tania Lucía. Digital storytelling na formação de professores. Tese de doutorado, 2018.

MARTINS, Vivian. Pedagogia da hipermobilidade. Projeto de tese, versão de qualificação. 2018.

 

Como citar este artigo:

SANTOS, Edméa. PARA CINECLUBES E CLUBES DE LEITURA DE, COM E PARA MULHERES: VEM CONVERSAR ONLINE COM ALGUNS VISUAIS STORYTELLING! Notícias, Revista Docência e Cibercultura, setembro de 2021, online. ISSN: 2594-9004. Disponível em: < >. Acesso em: DD mês. AAAA. 

 

Editore(s)/a(s) Seção Notícias: Felipe Carvalho